Milhares de fiéis juntaram‑se nesta sexta‑feira no Estádio Japoma, em Douala, maior cidade e eixo económico dos Camarões, para assistir à missa celebrada pelo Papa Leão, evento que deverá ser o ponto alto da sua digressão africana.
Estimativa de pavores
O Vaticano indica que cerca de 600 mil pessoas se deslocaram para as imediações do estádio com o objectivo de ouvir a mensagem do pontífice, que tem mantido posições firmes sobre a guerra e a desigualdade.
Estrutura de segurança e últimas noites dos devotos
Sob elevada presença policial, múltiplos camaroneses chegaram ao local ainda na véspera e permaneceram expostos ao frio e aos mosquitos para assegurar um lugar. “ Foi difícil, mas queríamos ver o sumo pontífice”, relatou Kevin Kaegam, um dos participantes.
Posicionamento do Papa
O primeiro pontífice de origem norte‑americana voltou a criticar líderes mundiais por destinarem milhares de milhões a conflitos armados, afirmando que o mundo está “a ser devastado por um punhado de tiranos”.
Itinerário da visita
A estada em Douala, com duração prevista de quatro horas, inclui ainda uma visita a um hospital católico antes do regresso à capital, Yaoundé. Esta passagem integra uma viagem de dez dias por quatro países africanos.
Mensagens sobre violação de direitos
Durante a digressão, o papa denunciou violações do direito internacional por potências que definiu como “neocoloniais”, alertando que “os caprichos dos ricos e poderosos” ameaçam a paz mundial.
Desafios de segurança nos Camarões
O país convive com grave instabilidade nas regiões anglófonas, onde o conflito, iniciado em 2017, já ceifou milhares de vidas. Governado há mais de 40 anos pelo Presidente Paul Biya, 93 anos, cuja reeleição em outubro passado provocou protestos. Segundo fontes da Nações Unidas, citadas pela Reuters, 48 civis foram mortos nas manifestações, quase metade no Litoral, zona onde se situa Douala.
Apelo à honestidade política
No discurso proferido na quarta‑feira, perante Paul Biya, o papa apelou aos líderes nacionais a derrubarem “as correntes da corrupção”.
Reação popular
Apesar do pano de fundo político e social, a recepção tem sido entusiástica, com multidões nas ruas a exibir tecidos coloridos com a imagem do papa. O bispo Leopold Bayemi Matjei qualificou a visita de “momento de grande alegria” e expressou esperança de que constitua uma bênção para o país: “Os Camarões precisam de uma bênção forte, para que a esperança possa renascer”.
Fonte: Reuters
