Hantavírus a bordo de cruzeiro de luxo mata três e deixa 150 passageiros confinados

Hantavírus a bordo de cruzeiro de luxo mata três e deixa 150 passageiros confinados Hantavírus a bordo de cruzeiro de luxo mata três e deixa 150 passageiros confinados

Navio holandês interceptado em Cabo Verde após surto de hantavírus que alegou‐se estar ligado a trânsito de roedores durante a travessia ao sul do Atlântico.

Um cruzeiro de luxo operado pela Oceanwide Expeditions encalhou ao largo da Praia, em Cabo Verde, com 149 passageiros de 23 nacionalidades confinados nas cabines depois de confirmar sete casos de hantavírus, dos quais três resultaram em fatalidades. A embarcação, MV Hondius, partiu de Ushuaia (Argentina) em março, percorrendo Antárctida, Ilhas Falklands, Geórgia do Sul, Ilha Nightingale, Tristão da Cunha, Santa Helena e Ascensão, chegando a Cabo Verde a 3 de maio.

Surto e evolução dos casos
– Sete infecções identificadas → duas confirmadas laboratorialmente, cinco suspeitas.
– Três mortes: casal holandês (70 e 69 anos) (um faleceu em Santa Helena a 11 abr, o outro morre na África do Sul após colapso no aeroporto de Joanesburgo) e cidadão alemão, falecido a bordo a 2 mai.
– Um passageiro britânico — estado grave desde 27 abr — foi evacuado por via aérea e encontra‑se em cuidados intensivos em Joanesburgo.
– Três restantes apresentam sintomas ligeiros.

Origem provável e transmissão
O hantavírus, patógeno endémico em roedores, passa a humanos via contato com urina, fezes ou saliva contaminadas. A transmissão inter‑humana, embora rara, ocorre com contato próximo e prolongado. Sintomas emergem entre uma e seis semanas e incluem febre, dores musculares e comprometimento respiratório; não há tratamento específico, e a intervenção médica precoce é crucial. As investigações apontam para a Argentina como ponto de origem, possivelmente pela variante Andes, ou para ratos a bordo como vetores.

Medidas de contenção em Cabo Verde
O governo cabo‑verdiano recusou autorização para atracação ou desembarque, justificando proteção da saúde pública conforme recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). A operadora do navio avalia transferência de passageiros a Las Palmas ou Tenerife para exames e tratamento. Enquanto isso, todos os passageiros permanecem confinados nos seus camarotes.

Implicações e risco externo
A OMS reafirmou que o risco ao público em geral é reduzido e que não é necessário impor restrições de viagem. Contudo, para os 150 indivíduos a bordo, a situação implica incertidão quanto ao desembarque e condições sanitárias, destacando a vulnerabilidade de expedições de luxo a surtos zoonóticos.

A necessidade de reforçar protocolos sanitários a bordo de navios de pacotes turísticos de alta pertença e de monitorizar a presença de roedores nos itinerários extensos torna‑se agora uma prioridade para prevenir episódios semelhantes.

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