Ataque cibernético à Unitel ocorre a um dia da estreia em bolsa e expõe novos accionistas a primeiro teste de risco operacional

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Operadora confirma impacto nos serviços de voz, dados móveis e Internet em todo o país. Incidente antecede em 24 horas a sessão de admissão à negociação na BODIVA, prevista para amanhã.

A Unitel confirmou, através de comunicado oficial, ter sido alvo de um ataque cibernético que afectou a sua infraestrutura tecnológica a partir das 02h20 desta terça-feira, 28 de Julho, com impacto nos serviços de voz, dados móveis e acesso à Internet em todo o território nacional.

“Os mecanismos de resposta e de contenção foram imediatamente activados, tendo sido mobilizadas as equipas técnicas e de cibersegurança, que continuam a trabalhar para mitigar os efeitos do incidente e assegurar a reposição integral dos serviços”, informou a empresa. Segundo o comunicado, os serviços permanecem condicionados, mantendo-se em curso as acções necessárias à normalização da rede.

O momento do incidente é particularmente sensível para a operadora e para o mercado de capitais angolano. Há apenas quatro dias, a 24 de Julho, tinha sido concluída a Oferta Pública de Venda (OPV) de 15% do capital social da Unitel, numa operação que arrecadou 300,300 mil milhões de kwanzas para o Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) e resultou na entrada de 11.264 novos accionistas, na maior operação de sempre da bolsa de Luanda. O preço final das acções tinha fixado-se no valor máximo do prospecto, reflectindo uma procura que superou a oferta em 20,72%.

A sessão de admissão à negociação da Unitel no Mercado de Bolsa de Acções (MBA) está agendada para amanhã, quarta-feira, dia 29 de Julho — menos de 24 horas após a confirmação do ataque cibernético.

Impacto potencial na estreia em bolsa

O incidente coloca a BODIVA e a própria Unitel perante um cenário sem precedentes no mercado angolano: a estreia de uma cotada em bolsa a decorrer em simultâneo com um incidente de cibersegurança activo e com serviços operacionais ainda condicionados.

Para os 11.264 novos accionistas que subscreveram acções durante a OPV, o momento representa o primeiro teste real de exposição ao risco operacional da empresa enquanto entidade cotada. Ataques cibernéticos com impacto na rede podem afectar directamente a facturação, a experiência do cliente e, subsequentemente, os resultados trimestrais da operadora — elementos que passam agora a ser escrutinados publicamente através dos relatórios exigidos a uma sociedade aberta.

Analistas de mercado tendem a considerar este tipo de incidente como um factor de volatilidade de curto prazo, sobretudo quando ocorre em torno de eventos de elevada exposição mediática, como é o caso de uma estreia em bolsa. A capacidade da Unitel em comunicar de forma transparente e repor rapidamente a normalidade dos serviços será determinante para conter eventuais impactos na confiança dos investidores nas primeiras sessões de negociação.

O incidente ocorre ainda num contexto em que a Unitel se tornou o activo mais mediático do Programa de Privatização de Activos do Estado (PROPRIV), com o desempenho da sua estreia em bolsa a ser amplamente acompanhado como referência para as próximas operações de privatização previstas para os restantes nove activos do programa.

Fonte: Comunicado oficial da Unitel; BODIVA.

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