Cabo Verde ambiciona ser a “Estónia da África” até 2030

Cabo Verde ambiciona ser a “Estónia da África” até 2030 Cabo Verde ambiciona ser a “Estónia da África” até 2030

Objetivo de o sector digital representar 25 % do PIB cabo-verdiano até 2030, numa estratégia que visa reverter a dura perda de cérebros e capital humano.

Num arquipélago cuja história está marcada pela emigração e cuja economia depende fortemente do turismo, o Governo definia metas ambiciosas: elevar a economia digital a 25 % do Produto Interno Bruto até 2030. O país já se destaca no continente pela conectividade, registando uma taxa de penetração da Internet de 75 % – aproximadamente o dobro da média africana – mas tem de enfrentar o paradoxo de perder, rapidamente, os profissionais mais qualificados para mercados externos.

Modelo Estónio
A comparação com a Estónia não é fortuita. O pequeno Estado do norte de Europa é referência mundial em digitalização económica, e Cabo Verde procura adaptar esse modelo ao contexto africano, convocando‑o a servir de farol para a livre circulação de pessoas e capitais na diáspora africana global.

Governança e Infra‑estrutura
A Secretaria de Estado para a Economia Digital, criada em 2021 para coordenar esta transformação, chegou a sublinhar que “as rotas marítimas por onde antes passou o tráfico de escravos são as mesmas por onde hoje transitam os cabos submarinos que alimentam a Internet de alta velocidade”. Um dos principais sinais da aposta é o TechParkCV, hub digital com instalações na Cidade da Praia e filial no Mindelo, que representa um investimento de cerca de Kz 52 mil milhões (52 milhões de euros), financiado em grande parte pelo Banco Africano de Desenvolvimento.

Formação e Resiliência
Nas escolas, disciplinas de robótica e programação já constam nos currículos, criando uma base digital que ajudou a atenuar o impacto da pandemia de Covid‑19 sobre o turismo, ainda o pilar da economia nacional.

Desafio da fuga de cérebros
O maior obstáculo desta estratégia reside na elevada taxa de emigração. A diáspora cabo‑verdiana estima‑se ser três a quatro vezes superior à população residente, que ronda os 529 mil habitantes. Formar engenheiros, programadores e especialistas digitais para depois vê‑los partir cria um ciclo que o Governo pretende quebrar ao aumentar as oportunidades locais e a competitividade com o mercado global.

Implicações económicas
Se o arquipélago conseguir alavancar a sua posição como hub digital, poderá inverter a lógica de “remessa de capital” para “recepção de investimento”, fortalecendo a balança de pagamentos e reduzindo a vulnerabilidade ao turismo tradicional.

O futuro de Cabo Verde dependerá da sua capacidade de transformar o investimento em infraestrutura e capital humano em um ecossistema digital capaz de atrair empresas e talento internacional, fazendo com que o mundo se dirija ao arquipélago em vez de o seu povo procurar oportunidades fora das ilhas.

Fonte: The Guardian

Add a comment

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *