Custo do combustível de aviação gera cancelamentos e redução de rotas nas companhias aéreas globais

Custo do combustível de aviação gera cancelamentos e redução de rotas nas companhias aéreas globais Custo do combustível de aviação gera cancelamentos e redução de rotas nas companhias aéreas globais

Os viajantes internacionais terão de se prepariar para um período de dificuldades. O aumento dos preços do querosene de aviação, impulsionado diretamente pelo conflito no Médio‑Oriente, está a compelir as principais linhas aéreas a cancelar voos, retirar aeronaves de operação e rever rotas anteriormente rentáveis.

A transportadora holandesa KLM registrou o último recorte da crise, anunciando a supressão de 80 viagens de ida e volta no Aeroporto de Schiphol, em Amesterdão, para o mês que inicia. Este anúncio coloca a KLM ao lado de empresas como United Airlines, Lufthansa e Cathay Pacific, que já adoptaram medidas semelhantes para limitar perdas.

Os dados revelam que a capacidade global de voos em maio diminuiu cerca de três pontos percentuais, com 19 das 20 maiores companhias aéreas a restringir as suas operações, segundo a analista Cirium. Estas 20 maiores transportadoras perderam aproximadamente 53 mil milhões de dólares em capitalização desde o início dos ataques ao Irão, enquanto o preço do querosene duplicou nas últimas semanas. Considerando que o combustível representa um terço dos custos operacionais, o sector avisa para uma pressão inflacionária insustentável.

Inicialmente focada nas transportadoras do Médio‑Oriente, a crise rapidamente se expandiu, ameaçando comprometer a lucrativa temporada de viagens de Verão a nível mundial. O bloqueio naval dos EUA no Estreito de Ormuz, que interrompe as exportações de petróleo iraniano, mantém a situação sem solução imediata, apesar da declaração irânica de sexta‑feira passada de que o estreito estava “completamente aberto” ao tráfego comercial, o que provocou uma queda de até 11 % no preço do Brent.

Na Europa, a situação apresenta-se crítica. A Agência Internacional de Energia alertou para reservas de combustível de aviação suficientes apenas para “possivelmente seis semanas”, e a União Europeia admitiu a possibilidade de escassez “num futuro próximo”. A Lufthansa encerrou a sua divisão CityLine, retirou 27 aviões de serviço e deixou em solo as aeronaves mais gourmandas. A SAS Scandinavian Airlines cortou mil voos, o maior recuo desde o início da pandemia.

A Delta Air Lines anunciou um suprimento adicional de 2,5 mil milhões de dólares em custos de combustível apenas neste trimestre. Em África, as companhias nigerianas reconhecem ameaças existenciais e avisam sobre possíveis suspensões de operação nos próximos dias.

Reduções de rotas espalham‑se globalmente. A Air Canada cancelou ligações entre Montreal e Toronto e o aeroporto JFK, em Nova Iorque. A Norse Atlantic suspendeu todos os voos para Los Angeles. A Virgin Atlantic encerrou a conexão Londres‑Riade e a British Airways abandonou a rota para Jeddah. A australiana Qantas prevê um aumento de 575 milhões de dólares na fatura de combustível e reduz 5 % da capacidade doméstica. A Cathay Pacific diminuiu 2 % a frequência de voos na região Ásia‑Pacífico, enquanto a sua subsidiária de baixo custo HK Express implementa cortes de 6 %.

Para os passageiros, o impacto já se reflete nas despesas, com taxas de combustível a imprimir até 400 dólares por bilhete de ida e volta em voos de longa distância. Quem planear férias de Verão ou Outono poderá descobrir que várias rotas previstas já não existem.

Add a comment

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *