O sector segurador e de fundos de pensões em Angola registou em 2025 uma evolução positiva, marcada pelo crescimento do volume de prémios, expansão dos activos dos fundos de pensões e melhoria progressiva dos indicadores de solvabilidade. A avaliação é de Filomena Airosa Manjata, Presidente do Conselho de Administração da Autoridade Reguladora dos Seguros e Fundos de Pensões (ARSEG), em entrevista ao estudo “Banca em Análise 2026” da Deloitte.
Para a responsável, o desempenho reflecte não apenas a retoma de determinados sectores económicos, mas também o esforço contínuo de modernização regulatória e consolidação das práticas de governação corporativa. Contudo, Filomena Airosa Manjata é clara sobre os limites actuais: “O nível de penetração dos seguros e dos fundos de pensões ainda se encontra abaixo do potencial da economia angolana, o que demonstra existir ainda uma importante margem de crescimento e inclusão.”
O sector segurador como motor de financiamento
Para a PCA da ARSEG, o sector segurador possui características estruturais que lhe conferem elevada capacidade para contribuir activamente no financiamento da economia. “Os fundos de pensões e as reservas técnicas das seguradoras constituem importantes fontes de capital institucional, capazes de apoiar investimentos estratégicos em sectores como infra-estruturas, energia, agricultura, habitação, indústria e logística”, afirma.
No domínio da gestão de riscos, Filomena Airosa Manjata sublinha que a adequada cobertura de riscos permite maior estabilidade operacional às empresas, aumenta a confiança dos investidores e contribui para a continuidade dos negócios perante eventos adversos. “Num contexto global cada vez mais exposto a riscos climáticos, tecnológicos, sanitários e geopolíticos, o sector segurador assume-se como parceiro estratégico do desenvolvimento económico sustentável”, defende.
Desafios estruturais persistentes
Entre os principais obstáculos ao crescimento do sector, a presidente da ARSEG destaca a reduzida literacia financeira e de seguros da população, a baixa taxa de penetração, a limitada inclusão financeira e a necessidade de maior diversificação dos produtos e canais de distribuição.
“Persistem igualmente desafios relacionados com a informalidade da economia, o incumprimento de alguns seguros obrigatórios, a insuficiente massificação da cultura de gestão de riscos e a necessidade de reforço da capacidade técnica especializada do mercado”, refere, apontando as áreas actuarial, tecnológica e de gestão prudencial como prioritárias.
Transformação digital como necessidade estratégica
A transformação digital ocupa lugar central na visão de Filomena Airosa Manjata para o futuro do sector. Ao nível da supervisão, a ARSEG tem investido progressivamente em mecanismos de recolha, tratamento e análise de informação, reforçando uma abordagem mais preventiva e baseada em risco.
No mercado, observa-se crescente adopção de soluções digitais, automatização de processos e desenvolvimento de plataformas electrónicas. “A transformação digital deixou de ser uma opção para se tornar uma necessidade estratégica”, afirma a responsável, defendendo investimentos consistentes em inteligência artificial, análise de dados, automação, cibersegurança e capacitação de recursos humanos.
A presidente da ARSEG aponta igualmente a necessidade de criar condições para o desenvolvimento do ecossistema Insurtech e para o fortalecimento da interoperabilidade entre os diversos intervenientes do sistema financeiro nacional.
Prioridades da ARSEG para os próximos anos
Para os próximos anos, as prioridades estratégicas da ARSEG centram-se no fortalecimento da estabilidade e solvabilidade do sector, aprofundamento da supervisão baseada em risco, promoção da inclusão no acesso aos seguros e fundos de pensões e reforço da protecção dos consumidores.
No plano da coordenação institucional, Filomena Airosa Manjata sublinha que a ARSEG tem reforçado os mecanismos de cooperação com o Banco Nacional de Angola, a Comissão do Mercado de Capitais e demais instituições relevantes, visando fortalecer a supervisão integrada e potenciar o papel do sector segurador no desenvolvimento económico sustentável do país.
Fonte: Deloitte Angola — Banca em Análise 2026
