Investidores de luxo apontam Europa como principal destino para segunda habitação de férias
Global Citizen Solutions classifica 10 mercados globais, com Espanha, Portugal e França no topo
A procura por casas de férias de alto padrão mantém‑se elevada entre compradores de património relevante. Um estudo da Global Citizen Solutions revelou os dez destinos mais atrativos para adquirir uma segunda residência de luxo, considerando estilo de vida, acessibilidade e tendências do mercado imobiliário.
Domínio europeu
Sete dos dez lugares selecionados são da Europa, ao reinscrever Espanha, Portugal e França nos primeiros lugares do ranking. Em Espanha, Maiorca e Ibiza destacam‑se pelo forte aumento de preços, elevado número de horas de sol, qualidade de vida e infraestruturas de alto nível.
Algarve lidera em valorização
No caso português, o Algarve regista a maior taxa de valorização do conjunto analisado, complementada por elevados índices de segurança, mais de 3 100 horas anuais de sol e acessibilidade salarial competitiva. Em 2023, o Algarve absorveu quase 30 % de todas as compras imobiliárias realizadas por não residentes em Portugal.
Côte d’Azur reforça a cultura e a conectividade
Em França, a Côte d’Azur e Saint‑Tropez ocupam a terceira posição, impulsionadas pela relevância cultural e por uma infraestrutura capaz de atender cerca de 70 mil milhões de passageiros aéreos ao ano – um desenvolvimento que, segundo o estudo, “leva décadas a construir”.
Metodologia centrada no estilo de vida
O índice privilegia fatores de estilo de vida como motor principal da compra, afastando‑se da análise exclusivamente financeira. Liana Simonyan, investigadora associada ao estudo, explica: “Classificamos vinte mercados prime, atribuindo maior peso à desejabilidade e ao estilo de vida do que aos fundamentos imobiliários, refletindo como indivíduos de elevado património realmente utilizam estas residências.”
Outros mercados de destaque
Itália, Japão e Estados Unidos completam a lista dos seis primeiros lugares, enquanto Nova Zelândia, Áustria, Grécia e Suíça encerram o top 10.
Raros letais combinados de clima e segurança
Os autores da Global Intelligence Unit atribuem o domínio europeu a uma combinação rara de clima ameno, infraestruturas de luxo, estabilidade institucional e condições de propriedade que, segundo o estudo, nenhuma outra região reproduz na mesma escala. Patricia Casaburi, CEO da Global Citizen Solutions, sublinha que “o domínio europeu neste contexto é estrutural e não acidental”.
Divisão entre sul europeu e alpinos
O relatório assinala ainda uma divisão clara: Espanha, Portugal, França e Itália concentram maior valorização imobiliária, mais horas de sol e uso sazonal intenso. Áustria e Suíça, por sua vez, favorecem propriedades de longa duração, oferta controlada e preservação de valor a longo prazo, além de alcançarem o nível máximo de segurança. A Áustria apresenta ligeiramente menos restrições à compra por estrangeiros, tornando‑se mais acessível a investidores internacionais.
Fonte: Global Citizen Solutions
EUA lideram ranking de conectividade aérea e registam preço de entrada mais elevado no segmento de segundas residências
Japão destaca‑se pelo forte investimento estrangeiro em Niseko, enquanto Nova‑Zelândia atrai compradores focados em estabilidade de longo prazo
Os Estados‑Unidos mantêm a primeira posição no ranking global de conectividade aérea e apresentam ainda o preço de entrada mais caro entre os dez destinos analisados. Em paralelo, o resort alpino japonês de Niseko registrou um crescimento significativo de investimento direto estrangeiro, consolidando‑se como um destino premium. Por sua vez, Queenstown, na Nova‑Zelândia, tem apostado na atratividade de compradores cujo principal objetivo é segurança e estabilidade a longo prazo, mais do que retorno financeiro imediato.
Destinos mais procurados para segundas residências
O índice de mercado aponta os dez principais destinos para aquisição de segundas residências:
– Maiorca/Ibiza, Espanha
– Algarve, Portugal
– Côte d’Azur/Saint‑Tropez, França
– Lago Como/Costa Smeralda, Itália
– Niseko, Japão
– Aspen/Palm Beach/Hamptons, Estados‑Unidos
– Queenstown, Nova‑Zelândia
– Kitzbühel/Lech, Áustria
– Mykonos, Grécia
– Verbier/St. Moritz, Suíça
Motivações de compra
O estudo destaca que as razões para adquirir uma segunda residência ultrapassam os meros imperativos financeiros. Em 2026, 28 % das transações globais de imobiliário de luxo foram realizadas por compradores à procura de uma segunda residência, revelando uma tendência de procura por estilos de vida exclusivos.
Co‑propriedade como alternativa emergente
Para quem pretende adquirir imóvel no estrangeiro, a co‑propriedade surge como modelo em expansão. Esta estrutura permite a divisão de custos, gestão e utilização do bem, ao mesmo tempo que assegura acesso a serviços de luxo sem que o comprador tenha de suportar integralmente a manutenção.
Um caso destacado envolve uma casa medieval de 900 anos, situada em Castiglioncello del Trinoro, Itália. As quotas de participação iniciam‑se em 549 mil dólares (aproximadamente 466 mil euros) por uma fração de 1/8 da propriedade, comercializada pela plataforma Pacaso.
Implicações para investidores de alto património
Para compradores de elevado património, a procura de uma segunda residência deixou de ser apenas uma estratégia de diversificação de carteira. O objetivo coloca-se cada vez mais na experiência de lifestyle, seja nas regiões mediterrânicas banhadas pelo sol ou nos Alpes suíços, oferecendo uma combinação de exclusividade, segurança e potencial valorização.
Fonte: estudo de mercado internacional
