Ataques israelitas na Faixa de Gaza resultaram nesta terça‑feira em cinco mortos, inclusive o menino Adel Al‑Najjar, de nove anos, confirmaram as autoridades de saúde local.
Segundo relatos médicos, um drone israelita abatiu a criança nas zonas leste de Khan Younis, no sul do enclave, enquanto um bombardeamento aéreo na cidade de Gaza atingiu um veículo, causando a morte de outras quatro pessoas.
O Exército israelita alegou que, em Khan Younis, o alvo era um indivíduo que representava risco às forças israelitas ao aproximar‑se da chamada “linha amarela”, fronteira que define a zona ocupada por Israel, embora não tenha apresentado provas de qualquer ameaça.
Do mesmo modo, para o ataque na cidade de Gaza, as forças israelitas denunciaram ter agido contra o que qualificaram de “terrorista”, sem disponibilizar comprovações.
No necrotério do Hospital Nasser, familiares marcharam em volta do pequeno corpo, que se encontrava envolto em fio branco, para prestar as despedidas. Mulheres choravam ao lado da cama improvisada onde o menino ficara, enquanto homens realizaram uma oração especial antes de encaminhá‑lo ao cemitério para o enterramento.
Os parentes relataram que o menino recolhia papelão usado para o cozimento, devido à ausência de energia elétrica em Gaza desde o início das hostilidades, em outubro de 2023, e às restrições israelitas à entrada de gás de cozinha. “Não temos gás; coletamos papelão para assar, querem comer; querem beber”, afirmou Sabreen Al‑Najjar, familiar de Adel.
A violência persiste apesar do cessar‑fogo estipulado para outubro de 2025, com Israel efetuando ações quase diárias contra a população palestiniana. Médicos locais contabilizam pelo menos 800 vítimas palestinianas desde o início do cessar‑fogo, enquanto Israel consulta que ataques de militantes causaram a morte de quatro dos seus soldados no mesmo período.
“No que se passa connosco é vergonhoso? Enterrar os nossos filhos todos os dias, aqui à nossa frente? Juro por Deus, o nosso coração parte por estas crianças”, declarou Suhaib Al‑Najjar, também presente no necrotério.
Israel e o Hamas lançam reciprocamente a culpa pelas violações do cessar‑fogo.
Segundo autoridades de saúde de Gaza, o número total de mortos palestinianos desde o lançamento do conflito, em outubro de 2023, ultrapassa 72 500. O ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, vitimou 1 200 pessoas, de acordo com dados israelenses.
