O Equity Group está a redirecionar a sua estratégia de expansão africana, priorizando uma aquisição em Angola em detrimento da Etiópia, onde restrições regulatórias impostas por Adis Abeba continuam a dificultar a entrada de bancos estrangeiros no mercado.
Conforme apurado, o banco queniano, que opera cinco subsidiárias em África, já identificou um banco local em Luanda — cujo nome não foi divulgado — para a aquisição de uma participação maioritária em 2026. A operação insere-se num plano mais amplo de estabelecer 15 subsidiárias regionais até 2030.
O CEO do grupo, James Mwangi, sem comentar transações específicas, afirmou à Jeune Afrique que Angola, Zâmbia, Moçambique, Gana, Costa do Marfim e Camarões oferecem fortes oportunidades, acrescentando que a abordagem de entrada preferencial do grupo são fusões e aquisições.
O interesse do Equity em Luanda surge num momento em que o Banco Nacional de Angola (BNA) conduz um programa de recapitalização que obriga os bancos menores e subcapitalizados a captar novos recursos, a fundirem-se com instituições mais fortes ou a saírem do mercado. No final de 2025, o BNA elevou os requisitos mínimos de capital para 25 mil milhões de kwanzas ($27,3 milhões) para bancos comerciais e para 50 mil milhões de kwanzas ($54,5 milhões) para bancos de desenvolvimento, com prazo de adequação até junho de 2028.
O mercado de capitais doméstico pouco desenvolvido e o reduzido interesse de investidores estrangeiros tornam a recapitalização um desafio para muitas instituições locais, acelerando a consolidação sectorial. Bancos de primeira linha como o Banco Angolano de Investimentos (BAI) e o Banco BIC deverão aproveitar as suas bases de capital mais robustas para absorver concorrentes menores. Em paralelo, grupos regionais reforçam a sua presença: o Standard Bank Group actua em Angola há mais de uma década e o Access Bank nigeriano adquiriu uma participação de 51% no Finibanco Angola em 2023.
O Equity mantinha até agora um escritório de representação na Etiópia há sete anos, onde previa entrar primeiro antes de avançar para Angola e Zâmbia — dois mercados ricos em recursos naturais onde o projecto ferroviário do Corredor de Lobito deverá igualmente impulsionar o comércio e o investimento.
