Angola atrai investidores para o sector mineiro, mas falta financiamento estruturado para converter potencial em riqueza

Angola atrai investidores para o sector mineiro, mas falta financiamento estruturado para converter potencial em riqueza Angola atrai investidores para o sector mineiro, mas falta financiamento estruturado para converter potencial em riqueza

CEO do African Bank of Oman defende reforço das parcerias estratégicas e do conteúdo local como condições para capturar o valor dos projectos extractivos

O sector mineiro e o petróleo e gás estão a atrair crescente atenção de investidores internacionais para Angola. Mas a capacidade de transformar esse interesse em riqueza efectiva depende de um factor que ainda escasseia: financiamento estruturado e parcerias estratégicas de qualidade.

A leitura é do CEO do African Bank of Oman (ABO), Dinis Mendes, durante a 2.ª edição do Seminário sobre Oportunidades de Negócio em Angola, realizado a 30 de Abril, em Luanda.

O responsável sublinhou a cooperação internacional, as parcerias público-privadas e a melhoria contínua do ambiente de negócios como os três pilares indispensáveis para atrair capital externo em volume e qualidade suficientes.

O sector mineiro foi identificado como o de maior potencial nos próximos anos. À medida que os projectos transitam da fase de prospecção para as fases de desenvolvimento e exploração, o volume de capital exigido cresce de forma significativa — e com ele, o efeito na economia nacional.

“A fase de investimento num projecto mineiro representa tipicamente vários milhares de milhões de dólares e tem um efeito multiplicador relevante na economia, nomeadamente através da criação de um ecossistema de conteúdo local, envolvendo empresas angolanas nas áreas de logística, construção, serviços e apoio operacional”, afirmou Dinis Mendes.

O ABO como facilitador de investimento

No que respeita ao posicionamento da instituição no mercado angolano, Dinis Mendes foi claro sobre o papel que o ABO pretende desempenhar. A ambição não é apenas financiar projectos, mas actuar como facilitador de entrada para investidores e operadores estrangeiros.

“O African Bank of Oman pretende assumir-se como uma plataforma de apoio a investidores e operadores, contribuindo para a estruturação de soluções de financiamento, incluindo financiamento de projectos, e apoiando as empresas na sua relação com o sistema bancário angolano, nomeadamente ao nível da abertura de contas, do enquadramento cambial e das necessidades operacionais associadas à sua actividade no país”, explicou o CEO.

Para investidores estrangeiros, a burocracia bancária e o enquadramento cambial são frequentemente obstáculos tão significativos quanto o risco geológico. Um banco que reduz essa fricção de entrada tem uma proposta de valor directa no actual contexto angolano.

O risco concentra-se na prospecção

Dinis Mendes foi preciso sobre onde se situa a maior exposição ao risco no sector mineiro: a fase inicial de prospecção. Após a identificação de reservas economicamente viáveis, os projectos transitam para modelos financeiros estruturados e reconhecidos internacionalmente, com capacidade muito superior de atrair financiamento junto de instituições financeiras e mercados de capitais.

Esta distinção importa para quem avalia o sector. O perfil de risco e retorno de um projecto em fase de desenvolvimento é substancialmente diferente do de um projecto ainda em prospecção. A janela de entrada mais equilibrada situa-se precisamente nessa transição.

O alerta sobre o conteúdo local

Dinis Mendes deixou uma advertência que merece atenção de decisores políticos e empresariais: não basta atrair investimento. É necessário garantir que uma parte significativa dos fluxos financeiros gerados pelos projectos é canalizada para a economia nacional.

O risco estrutural dos grandes projectos extractivos é conhecido. Geram receita fiscal para o Estado e emprego qualificado limitado, mas o grosso do capital — reembolso de financiamento externo, repatriação de dividendos, pagamento a fornecedores estrangeiros — tende a sair do país. A promoção activa do conteúdo local é a única forma de garantir que o ciclo de investimento que se aproxima deixa efeitos duradouros na economia real.

O evento foi promovido pela Angolan Business Beyond Borders (ABBB) e pela Rei Design, tendo reunido líderes empresariais, investidores, decisores políticos e parceiros internacionais para debater oportunidades de cooperação e o futuro económico de Angola.

Fonte: Redação Líder

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