FMI recomanda a canalização das receitas petrolíferas para reduzir o endividamento e reforçar a resiliência da economia angolana.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou esta semana, em Luanda, para os riscos económicos decorrentes da continuação da guerra no Médio Oriente e sugeriu a Angola adotar contenção orçamental, políticas monetárias restritivas e uso prioritário das receitas petrolíferas para amortizar a dívida.
Risco externo e pressões inflacionistas
Vítor Lledo, representante do FMI em Angola, apresentou o relatório “Perspetivas Económicas Regionais da África Subsariana” e destacou que países produtores de petróleo, como Angola, permanecem vulneráveis à volatilidade externa. A guerra no Médio Oriente eleva os preços dos combustíveis e fertilizantes, “potencializando pressões inflacionistas e tensões cambiais”.
Impacto sobre os investimentos e produção petrolífera
Lledo alertou que a extensão do conflito pode reduzir o apetite dos investidores pelos títulos de dívida angolanos, num contexto em que a produção nacional de petróleo já está em queda. O crescimento recente das receitas tem sido impulsionado principalmente pela alta dos preços do petróleo, não pelo aumento dos volumes produzidos, sinalizando uma tendência estrutural de diminuição do peso do sector na economia.
Almofadas fiscais e necessidades de financiamento
O FMI sublinhou que Angola enfrenta a actual conjuntura com “almofadas fiscais exauridas”, num ano marcado por importantes necessidades de financiamento interno e externo, sobretudo a curto prazo.
Vulnerabilidade social
Foi apontada a preocupação com a vulnerabilidade alimentar de uma parcela significativa da população, exigindo medidas sociais estritamente “direcionadas e limitadas no tempo” para não desequilibrar as contas públicas.
Recomendações fiscais e monetárias
A instituição recomenda que as receitas petrolíferas sejam empregues para reduzir o endividamento doméstico e estabilizar o macroambiente, evitando aumentos de despesa pública não contemplados no Orçamento Geral de Estado. No domínio monetário, o FMI aconselha a manutenção de uma política restritiva, com foco nas perspetivas inflacionistas, e a aceleração de reformas estruturais, incluindo a melhoria da regulamentação do sector privado, como apoio ao crescimento económico sustentável.
Fonte: Fundo Monetário Internacional
