Índice de preços desacelera pelo 21.º mês consecutivo, refletindo política económica de estabilização.
A inflação anual em Angola reduziu‑se a 11,58 % em Abril, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), constituindo o registro mais baixo desde Junho de 2023 e marcando o 21.º mês sucessivo de arrefecimento dos preços. O recuo deve‑se a uma baixa de 0,84 p.p. face a Março e a uma queda de 10,74 p.p. comparada com Abril de 2022.
Pressões inconsequentes em setores específicos
Apesar da tendência geral, alguns sectores mantêm pressões sobre o custo de vida:
→ Transportes lidera com alta de 16,45 %;
→ Habitação, água, electricidade e combustíveis regista 15,17 %;
→ Educação contabiliza 13,40 %;
→ Saúde avança 12,28 %.
A categoria Alimentação e bebidas não alcoólicas permanece a principal força impulsionadora, responsável por 7,27 p.p., equivalente a 62,83 % da variação total do IPCN.
Setores com menor pressão de preços
As classes que registaram as menores variações foram:
→ Comunicações com 6,58 %;
→ Hotéis, cafés e restaurantes com 6,62 %;
→ Lazer, recreação e cultura com 6,80 %.
Distribuição geográfica da inflação
Províncias com maior inflação em Abril foram: Cabinda (17,92 %), Malanje (14,20 %) e Lunda Sul (13,49 %). As menores taxas observaram‑se em Cunene (8,56 %), Huambo (8,78 %) e Lunda Norte (9,26 %).
Contexto macroeconómico e implicações
A queda da inflação incorpora o esforço do Governo de consolidar a estabilidade macroeconómica, reduzir a volatilidade dos preços e preservar o poder de compra dos agregados familiares. Para o bancário nacional, a moderada carga inflacionária pode aliviar a pressão sobre as taxas de juro reais, facilitando o crédito ao consumo e ao investimento. Contudo, as elevações persistentes nos setores de transportes e energia sugerem necessidade de políticas direcionadas para evitar enviesamento da vantagem cumulativa de salários.
Perspetivas futuras
Se mantidos os lineamentos de controlo de custos e a implementação de reformas estruturais, a inflação poderá continuar a recuar nos próximos meses, reforçando a confiança dos investidores e incrementalmente ampliando a capacidade de gasto das famílias angolanas.
