Balança comercial de Angola retrocede 31,5% em 2025, com queda do petróleo e avanço dos diamantes

Balança comercial de Angola retrocede 31,5% em 2025, com queda do petróleo e avanço dos diamantes Balança comercial de Angola retrocede 31,5% em 2025, com queda do petróleo e avanço dos diamantes

Saldo continua positivo mas recua de 17.586 para 12.047 milhões de euros. Exportações caem 11,53% e importações crescem 16,93%. China absorve 47% das exportações totais.

A balança comercial de Angola registou em 2025 uma deterioração de 31,50%, segundo o Anuário de Estatísticas do Comércio Externo 2025 divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O saldo continua positivo, mas recuou de 18,6 biliões de kwanzas — equivalente a 17.586 milhões de euros — em 2024, para 12,8 biliões de kwanzas — equivalente a 12.047 milhões de euros — em 2025.

A deterioração resulta de dois movimentos simultâneos: a diminuição das exportações, que recuaram 11,53% para 28 biliões de kwanzas (26.478 milhões de euros), e o incremento de 16,93% das importações, que cresceram para 15,3 biliões de kwanzas (14.431 milhões de euros).

O petróleo explica a queda das exportações

A queda das exportações é justificada sobretudo pelo petróleo bruto, que representa mais de 90% do total exportado — cerca de 24.211 milhões de euros — e desceu 14,16% face a 2024, reflectindo a redução dos volumes exportados e a descida dos preços internacionais.

A taxa de cobertura das importações pelas exportações desceu de 242,5% em 2024 para 183,5% em 2025 — um indicador que continua robusto em termos absolutos, mas que regista uma deterioração significativa num único ano.

Os diamantes foram a excepção

As exportações de pedras preciosas e metais preciosos cresceram 21,15%, para 1,6 biliões de kwanzas (1.534 milhões de euros), impulsionadas pela nova mina do Luele, que iniciou produção no terceiro trimestre de 2024 e quase duplicou a produção de quilates exportados.

O desempenho dos diamantes é o dado mais encorajador do anuário — não pelo volume absoluto, que continua marginal face ao petróleo, mas pela dinâmica de crescimento que demonstra o potencial da diversificação do sector extractivo angolano.

A concentração geográfica que amplifica o risco

No lado das exportações, a China continua a ser o principal destino, com 47% do total, seguida da Índia com 11,84% e da Indonésia com 6,40%.

Os cinco maiores destinos concentram mais de 76% das exportações totais — uma concentração geográfica que acentua a vulnerabilidade da economia angolana a oscilações externas, sejam elas de procura, de política comercial ou de preço das commodities.

A dependência da China como destino de 47% das exportações é um risco estrutural que os dados de 2025 tornam mais visível. Qualquer abrandamento da procura chinesa de petróleo — ou uma reorientação das suas fontes de abastecimento — teria impacto directo e imediato na balança comercial angolana.

O que os dados revelam sobre a vulnerabilidade estrutural

A deterioração de 31,5% na balança comercial num único ano ilustra com precisão a fragilidade estrutural da economia angolana: uma dependência do petróleo que converte flutuações externas de preço e volume em choques internos imediatos.

O saldo continua positivo. Angola exporta mais do que importa. Mas a margem estreitou-se significativamente, e as importações continuam a crescer — o que coloca pressão adicional sobre o câmbio e as reservas internacionais num cenário de receitas de exportação em queda.

Fonte: Anuário de Estatísticas do Comércio Externo 2025, Instituto Nacional de Estatística (INE) via Forbes África Lusofona

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