Taxa já abaixo da meta anual do BNA e a menos de um ponto percentual da barreira do dígito único. Alimentação representa 63,41% da inflação total.
A inflação angolana continua a cair a um ritmo que supera as próprias projecções oficiais. Em Maio de 2026, a taxa anual fixou-se em 10,88%, a menor desde Junho de 2023 e o 22.º mês consecutivo de redução, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
A queda representa uma descida de 0,7 pontos percentuais face a Abril e de quase 10 pontos percentuais face ao mesmo mês do ano anterior. O Banco Nacional de Angola tinha previsto uma taxa de 13,5% para todo o ano de 2026 — meta que foi superada logo em Março.
Trajectória dos últimos seis meses
A velocidade da desinflação torna-se mais clara na evolução mensal:
- Dezembro de 2025: 15,7%
- Janeiro de 2026: 14,56%
- Fevereiro de 2026: 13,35%
- Março de 2026: 12,42% — primeiro mês abaixo da meta anual do BNA
- Abril de 2026: 11,58%
- Maio de 2026: 10,88%
A inflação de um dígito, ausente na economia angolana há vários anos, encontra-se agora à entrada dos próximos meses.
Este percurso contrasta fortemente com o auge do ciclo inflacionista. Em 2024, a média anual situou-se em cerca de 27,5%, reflexo das pressões cambiais e do choque nos preços alimentares desse período.
A estabilidade do kwanza tem-se afirmado como o principal motor da desaceleração, ao suavizar o efeito das importações sobre o nível geral dos preços.
Embora a tendência global seja de descida, a desinflação não é homogénea.
O segmento dos transportes registou a maior variação anual, com 15,73%, seguido de habitação, água, electricidade e combustíveis, com 14,32%, e educação, com 13,40%.
A alimentação e bebidas não alcoólicas, apesar de uma variação de 11,33%, continua a ser o principal impulsionador da inflação geral. Apenas esta categoria contribuiu com 6,9 pontos percentuais para a variação total do índice, representando 63,41% da subida registada.
As diferenças provinciais são significativas.
Cabinda registou a maior variação provincial, com 16,56%, seguida de Malanje, com 13,76%, e Moxico, com 12,45%.
No extremo oposto, Huambo apresentou a taxa mais baixa do país, com 7,76%, já dentro da faixa de dígitos únicos, seguido de Cunene, com 8,29%, e Lunda Norte, com 8,35%.
Estas diferenças reflectem tanto a estrutura produtiva local como a conectividade de cada região às cadeias de abastecimento nacionais.
Fonte: Instituto Nacional de Estatística de Angola
