Dívida do Estado angolano a empresas privadas sobe 9% e atinge US$ 4,5 mil milhões no primeiro trimestre de 2026

Dívida do Estado angolano a empresas privadas sobe 9% e atinge US$ 4,5 mil milhões no primeiro trimestre de 2026 Dívida do Estado angolano a empresas privadas sobe 9% e atinge US$ 4,5 mil milhões no primeiro trimestre de 2026

Reservas do BNA caem US$ 477 milhões em três meses. FMI alerta para riscos da dependência crescente de crédito de curto prazo junto de fornecedores.

No primeiro trimestre de 2026, o Estado angolano devia US$ 4.496,3 milhões a empresas privadas, incluindo atrasados — um crescimento de 9% face aos US$ 4.128,9 milhões.

Em apenas três meses, entre o fecho de 2025 e Março de 2026, o Estado acumulou mais US$ 171,4 milhões nesta rubrica, um crescimento trimestral de 4,2%.

Deterioração gradual da posição da dívida externa

Os números inserem-se num contexto de deterioração gradual da posição da dívida externa angolana.

Em 2024, o stock total tinha recuado para cerca de US$ 46,8 mil milhões, abaixo dos US$ 49,6 mil milhões de 2023. Esse alívio revelou-se conjuntural: no primeiro trimestre de 2026, a dívida externa pública total, excluindo atrasados, voltou a subir 6,5%, para US$ 52,5 mil milhões.

A decomposição da dívida revela:

→ Dívida comercial: US$ 38,7 mil milhões (+7,4%)
→ Títulos e obrigações bancárias: crescimento de 7,2%
→ Componente de fornecedores: crescimento de 9%
→ Dívida multilateral: US$ 11 mil milhões (+7,6%)

Mudança na estrutura do financiamento

O agravamento da dívida a fornecedores é particularmente significativo porque traduz uma mudança estrutural no modelo de financiamento do Estado. O Governo tem recorrido de forma crescente a crédito de curto prazo junto de empresas privadas — uma estratégia que os analistas consideram mais cara e menos previsível do que o recurso a crédito multilateral ou bilateral.

No mesmo trimestre, as reservas líquidas do Banco Nacional de Angola caíram US$ 477 milhões, para US$ 15,4 mil milhões. Esta redução, combinada com o crescimento dos compromissos de curto prazo, estreita a margem de manobra do Estado em caso de choque externo.

O FMI já havia sinalizado este risco. Num relatório de finais de 2025, o Fundo deixou recomendações ao Executivo angolano sobre transparência, controlo de custos e sustentabilidade da dívida a fornecedores.

“O aumento da dívida pública a fornecedores, sobretudo a de curto prazo, torna a economia mais sensível a mudanças súbitas na liquidez internacional e reduz a margem de manobra do Estado em cenários de crise,” advertiu o organismo.

O FMI projecta que o serviço da dívida externa decline gradualmente de US$ 10,5 mil milhões em 2025 para US$ 6,5 mil milhões em 2029. Esse perfil depende, contudo, de Angola não continuar a acumular obrigações de curto prazo ao ritmo actual.

Negociação com o Banco Mundial

Angola negocia com o Banco Mundial um mecanismo de troca de dívida por investimento — um debt-for-development swap — que poderia aliviar parte do fardo financeiro.

Por enquanto, os números do primeiro trimestre de 2026 apontam na direcção oposta.

Fonte: Jornal Mercado

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