A pergunta é provocatória, mas toca no ponto fulcral do desenvolvimento financeiro em Angola: até ao momento, a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) tem sido palco de Ofertas Públicas de Venda (OPV) e não de Ofertas Públicas de Subscrição (OPS).
Há quem critique o facto de as privatizações na BODIVA, como as do Banco Angolano de Investimentos, Banco Caixa Geral Angola, ENSA – Seguros de Angola, Banco de Fomento Angola, Unitel e Standard Bank Angola, serem Ofertas Públicas de Venda e não Ofertas Públicas de Subscrição. Portanto, é um facto: o dinheiro foi para a conta do Estado (emitente) e zero kwanzas entraram no caixa das empresas para dinamizar projetos de raiz, ou seja, para a expansão da empresa. Mas será que isto é um erro ou uma estratégia necessária? Focar apenas no destino imediato do capital ignora os maiores ganhos desta iniciativa do Executivo.
Vamos analisar os ganhos:
Primeiro, o cidadão comum passa a ter o privilégio de ser accionista de uma empresa cotada na bolsa de valores. E, no mês de Abril, terá acesso direto à distribuição de dividendos (lucros) das empresas (os lucros das empresas cotadas superaram as expectativas).
Segundo, para o Estado, entra receita direta para o Tesouro, reduzindo a necessidade de endividamento público.
Terceiro, para as empresas privadas, permite ter a certeza de que o ecossistema está maduro. O sucesso astronómico da procura destas OPV provou que há liquidez disponível em Angola. O próximo passo natural é as empresas privadas entrarem para emitir novas ações (OPS), financiarem e dinamizarem os seus projetos, como acontece noutras geografias, e o Estado angolano abriu o caminho para as empresas privadas.
O Estado não usou a bolsa para injetar dinheiro em seis empresas específicas, mas usou as seis empresas para capitalizar a credibilidade do nosso Mercado de Capitais.
