Onde vale mais a pena investir: em Obrigações do Tesouro em moeda estrangeira em Angola ou em Treasuries dos EUA?

Onde vale mais a pena investir: em Obrigações do Tesouro em moeda estrangeira em Angola ou em Treasuries dos EUA?

A resposta depende do apetite ao risco de cada investidor. Investidores com um perfil mais conservador tendem apreferir títulos considerados mais seguros, como os emitidos pelos Estados Unidos.

As Obrigações do Tesouro em Moeda Estrangeira (OT-ME) são títulos de renda fixa emitidos pelo Tesouro Nacional, daí a nomenclatura Títulos do Tesouro, e geridos pela Unidade de Gestão da Dívida Pública (UGD).

Para além das formas de crédito ou financiamento que todos nós conhecemos e às quais o Estado recorre para se financiar, como o Banco Mundial, a China, os bancos comerciais nacionais, entre outras, o Estado também emite Obrigações do Tesouro em Moeda Estrangeira. O objetivo passa por diversificar as fontes de financiamento, otimizar a gestão da dívida pública e contribuir para o equilíbrio orçamental.

A partir do momento em que cada um de nós compra Obrigações do Tesouro em Moeda Estrangeira, torna-se credor do Estado angolano. Isto significa que o Estado assume a obrigação de reembolsar o valor investido, acrescido dos respetivos juros.

Voltando à pergunta inicial: onde vale mais a pena investir: em Obrigações do Tesouro em Moeda Estrangeira, em Angola, ou em Treasuries dos Estados Unidos?

A resposta pragmática é que, no que toca à rentabilidade, investir em Angola é mais atrativo. Porquê?

Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries), atualmente, nos prazos mais curtos, entre seis meses e um ano, oferecem taxas de rendimento de cerca de 4,50% a 4,75% ao ano. Já os títulos com prazos mais longos, como os de 10 anos, proporcionam um rendimento de aproximadamente 4,66%. Em Angola, por outro lado, as taxas são mais atrativas, com cupões semestrais de 9,25% e 9,78%.

No caso das Obrigações do Tesouro em Moeda Estrangeira (OT-ME), em Angola, o investidor pode adquirir os títulos em kwanzas e receber o retorno do investimento em dólares.

Mas, no que toca ao perfil do investidor, qual seria o melhor destino para investir: as OT-ME angolanas ou os Treasuries dos Estados Unidos?

Aqui, a contextualização é muitíssimo importante para um melhor alinhamento da análise. Angola precisa de oferecer taxas de juros mais elevadas para atrair investidores, por ser uma economia mais volátil e apresentar um nível de risco superior. Economias mais estáveis, como a dos Estados Unidos, tendem a oferecer taxas de juros mais baixas, uma vez que apresentam menor risco de incumprimento.

Então, qual seria o melhor destino para investir de acordo com o perfil do investidor? As OT-ME ou os Treasuries?

A resposta depende do apetite ao risco de cada investidor. Investidores com um perfil mais conservador tendem a preferir títulos considerados mais seguros, como os emitidos pelos Estados Unidos. Por outro lado, investidores com maior apetite ao risco podem optar pelos títulos angolanos, atraídos por rendimentos potencialmente mais elevados.

Importa, contudo, fazer uma ressalva relativamente ao caso angolano. Apesar de Angola apresentar uma economia mais volátil e, consequentemente, um nível de risco superior ao dos Estados Unidos, o país não registou, até ao momento, incumprimento no pagamento da sua dívida pública. Além disso, no âmbito do Orçamento Geral do Estado (OGE), o serviço da dívida pública constitui uma das prioridades.

Este histórico deve igualmente ser considerado pelos investidores na avaliação entre risco e rentabilidade. Assim, as taxas mais elevadas oferecidas pelos títulos angolanos refletem não apenas a necessidade de atrair investidores, mas também a perceção de risco associada ao contexto económico do país, sem que isso signifique, necessariamente, uma incapacidade do Estado angolano de honrar os seus compromissos financeiros.

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