Angola importou medicamentos no total de 78,9 milhões de dólares entre janeiro e março de 2026, conforme dados do PRODESI divulgados pela Administração Geral Tributária, num cenário em que o sector farmacêutico já constitui o segundo maior item da fatura de importações do país.
O montante representa 14,38 % dos 548,3 milhões de dólares gastos em bens importados no mesmo período, confirmando a crescente pressão da despesa farmacêutica na saída de divisas. No primeiro trimestre, as importações farmacêuticas evoluíram de 24,6 milhões de dólares em janeiro para 28,3 milhões em março, o nível mais elevado do período, apesar das flutuações nos volumes importados.
A análise indica ainda uma tendência estrutural de crescimento: em termos anuais, Angola registou um aumento de 226,4 milhões de dólares em 2024 para 296,6 milhões de dólares em 2025, refletindo simultaneamente a subida de preços e de volumes, o que reforça a dependência externa num sector considerado crítico.
Esta evolução aponta para pressões sobre o sistema de saúde, vulnerabilidades na cadeia de abastecimento e forte exposição às alterações cambiais e de preços internacionais. Paralelamente, analistas consideram o sector como uma oportunidade para a substituição de importações, num mercado de procura crescente e estruturada.
No conjunto global das importações, continuam a sobressair bens alimentares como frango, trigo, arroz e óleo de soja, revelando a dependência da economia angolana de fornecimentos exteriores para produtos essenciais e sublinhando o desafio de desenvolver capacidade produtiva interna, particularmente na indústria farmacêutica.
Fonte: Administração Geral Tributária
