Resultado líquido recua face ao ano anterior, penalizado por diferenças de câmbio e actualizações do Fundo de Abandono. Activo não corrente sobe 137%.
A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis encerrou o exercício de 2025 com um resultado líquido de 258 milhões de kwanzas, abaixo do registado em 2024. O recuo foi determinado pelos resultados não operacionais — diferenças de câmbio desfavoráveis e actualizações do Fundo de Abandono geraram um impacto financeiro negativo de 132 milhões de kwanzas.
O resultado operacional recuperou, e o activo total cresceu 13,7% face ao ano anterior, para cerca de 14,9 mil milhões de kwanzas.
A mudança mais expressiva nas contas está na composição do activo. O activo não corrente cresceu 137%, reflectindo o reforço das contas de garantia do Fundo de Abandono — os montantes depositados pelos grupos empreiteiros para cobrir o desmantelamento futuro dos blocos petrolíferos e o restauro ambiental no fim das concessões. São valores indisponíveis para outros fins, mas que reforçam o balanço e sinalizam uma gestão progressivamente mais rigorosa dos passivos ambientais do sector.
Em sentido contrário, o activo corrente recuou 46%, sobretudo por via das disponibilidades, reclassificadas em rubricas distintas por razões associadas às operações de abandono.
O capital próprio aumentou 5,96%, fixando-se em cerca de 4,7 mil milhões de kwanzas, por incorporação de resultados de exercícios anteriores.
O dado que merece atenção é o passivo corrente, que subiu de 175,9 milhões para 1,4 mil milhões de kwanzas. O aumento decorre de um processo de conciliação de contas entre o Ministério das Finanças e a Sonangol que, à data de fecho das contas, ainda estava em curso. O valor definitivo desta rubrica poderá ser ajustado quando o processo for concluído — o que mantém em aberto a posição financeira real da agência.
O balanço de 2025 é o retrato de uma instituição em transição: lucro inferior ao do ano anterior, mas activo em crescimento, capital próprio reforçado e uma estrutura contabilística que começa a reflectir com maior rigor as obrigações futuras do sector petrolífero angolano.
Fonte: Jornal Mercado
