Banco Sol regressa ao lucro no primeiro trimestre de 2026 com resultado positivo de Kz 2,78 mil milhões

Banco Sol regressa ao lucro no primeiro trimestre de 2026 com resultado positivo de Kz 2,78 mil milhões Banco Sol regressa ao lucro no primeiro trimestre de 2026 com resultado positivo de Kz 2,78 mil milhões

O Banco Sol regressou ao lucro. O balancete preliminar do primeiro trimestre de 2026 revela um resultado líquido positivo de Kz 2,78 mil milhões — equivalentes a cerca de 3,04 milhões de dólares —, numa recuperação de 206,05% face ao prejuízo de Kz 2,62 mil milhões registado no mesmo período de 2025.

Os resultados surgem exactamente um ano após o Banco Nacional de Angola (BNA) ter aprovado o Plano de Recapitalização e Reestruturação (PRR) do Banco Sol, na sequência da intervenção assistida anunciada a 25 de Abril de 2025.

Activo cresce, mas crédito recua

O activo total do Banco Sol cresceu 8,39% no primeiro trimestre de 2026, fixando-se em Kz 1,05 biliões — equivalentes a 1,15 mil milhões de dólares —, face aos Kz 968,64 mil milhões registados em Março de 2025.

O crescimento do activo foi impulsionado pelo aumento do investimento em Títulos e Valores Mobiliários, cuja carteira cresceu 19,94%, atingindo Kz 468,02 mil milhões e representando 44,58% do activo total. Trata-se de uma alocação significativa em instrumentos financeiros — tendência que reflecte a postura mais conservadora do banco no actual contexto de reestruturação.

Em sentido contrário, o crédito a clientes registou uma queda de 28,77%, situando-se em Kz 92,29 mil milhões, contra os Kz 129,57 mil milhões concedidos no mesmo período de 2025. O crédito representa actualmente apenas 8,79% do activo total — um rácio baixo para uma instituição bancária e um sinal claro de que o banco está a reduzir a sua exposição ao risco de crédito no processo de saneamento.

Recursos de clientes sobem, fundos próprios descem

Do lado do passivo, registou-se um crescimento de 9,41%, totalizando Kz 977,64 mil milhões. O aumento foi impulsionado pelos recursos de clientes, que avançaram 17,68%, atingindo Kz 929,33 mil milhões — o equivalente a 95,06% do passivo total — um sinal de que a confiança dos depositantes se mantém.

Os fundos próprios registaram, no entanto, uma redução de 10,61%, situando-se em Kz 69,47 mil milhões, abaixo dos Kz 77,72 mil milhões do primeiro trimestre de 2025.

As provisões diminuíram 11,72%, fixando-se em Kz 8,86 mil milhões — ainda uma dimensão que merece acompanhamento, dado o nível elevado em relação à carteira de crédito.

Contexto da intervenção e factores de atenção

Na sequência da intervenção do BNA, o Banco Sol foi retirado da categoria de banco de importância sistémica no quarto trimestre de 2025 — uma alteração de estatuto que reflecte a dimensão actual da instituição no sistema financeiro angolano.

Apesar do regresso ao lucro ser um sinal positivo e encorajador, os dados não estão isentos de factores de preocupação. O nível de provisões mantém-se elevado, o crédito a clientes contraiu de forma significativa e os fundos próprios diminuíram. O processo de reestruturação ainda está em curso e os próximos trimestres serão determinantes para avaliar a solidez da recuperação.

Fonte: O Telegrama

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