BNA fecha 2025 com lucro a cair 60% enquanto bancos comerciais crescem 34%

BNA fecha 2025 com lucro a cair 60% enquanto bancos comerciais crescem 34% BNA fecha 2025 com lucro a cair 60% enquanto bancos comerciais crescem 34%

Resultado líquido do banco central recua para 668,5 mil milhões de kwanzas. Sector bancário atinge 26,59 biliões de kwanzas em activos e reduz rácio de incumprimento de 19,2% para 15,78%

O Banco Nacional de Angola terminou 2025 com um resultado líquido de 668,5 mil milhões de kwanzas — uma queda de 60% face aos 1,6 biliões de kwanzas registados em 2024. No mesmo período, os bancos comerciais angolanos auferiram 951,44 mil milhões de kwanzas em lucros, um crescimento de 34% sobre o ano anterior.

A divergência entre os resultados do banco central e do sector comercial é o dado mais relevante das contas do sistema financeiro angolano em 2025 e levanta questões sobre a sustentabilidade operacional do BNA num contexto de política monetária restritiva.

Política monetária: dois cortes em cinco reuniões

Ao longo de 2025, o Comité de Política Monetária do BNA reuniu-se cinco vezes e reduziu a taxa directora apenas duas vezes, num total de 100 pontos base — de 19,5% para 18,5%. O objectivo foi conter a inflação sem apertar excessivamente as condições de financiamento da economia.

O resultado ficou aquém da meta. A inflação encerrou o ano em 15,70%, acima do target definido para 2025. O preço médio do Brent ficou em 68,3 dólares por barril, 14,4% abaixo do valor de 2024, pressionado pelo excesso de oferta e pela fraca procura global — um factor externo com impacto directo nas receitas do Estado angolano e, por consequência, na margem de manobra do banco central.

Activos crescem. Crédito ao Estado também.

O activo total do BNA atingiu 19.160 mil milhões de kwanzas, face a 17.678 mil milhões em 2024. Os activos junto ao Fundo Monetário Internacional totalizaram 13.754 mil milhões de kwanzas, e os activos financeiros ao justo valor somaram 6.528 mil milhões de kwanzas.

O dado que merece mais atenção está no crédito concedido ao Estado. Entre 2022 e 2025, o BNA emprestou ao Governo Central 35.572 mil milhões de kwanzas. O salto mais expressivo ocorreu na transição de 2024 para 2025, quando o crédito ao Estado cresceu 37,73%, atingindo 11.386 mil milhões de kwanzas. A dimensão deste financiamento coloca questões sobre a independência operacional do banco central e sobre os limites desta relação no médio prazo.

Custos com pessoal sobem 14,6%

Em 2025, o BNA despendeu o equivalente a cerca de 73,8 milhões de dólares em salários e remunerações dos seus 1.504 trabalhadores — um aumento de 14,6% face aos 59,4 mil milhões de kwanzas registados em 2024. Do total, 3,7% destinou-se à remuneração dos 11 membros do conselho de administração.

O crescimento dos custos com pessoal, num ano em que o resultado líquido caiu 60%, é um indicador que o próprio BNA terá de endereçar. A pressão sobre a capacidade autónoma de financiar operações de estabilização monetária aumenta à medida que os resultados operacionais diminuem.

O sector comercial em sentido contrário

Enquanto o BNA registava a queda mais acentuada dos últimos anos nos seus resultados, o sector bancário comercial seguiu em direcção oposta. Os activos do sistema cresceram 12,06%, atingindo 26,59 biliões de kwanzas. O rácio de incumprimento recuou de 19,2% para 15,78% — uma melhoria significativa, embora o valor continue elevado por padrões internacionais.

Os 951,44 mil milhões de kwanzas em lucros dos bancos comerciais representam o melhor resultado do sector em anos recentes e reflectem o efeito combinado das taxas de juro elevadas, do crescimento dos depósitos e da melhoria gradual da qualidade das carteiras de crédito.

A leitura conjunta dos dois resultados — BNA em queda, banca comercial em alta — é o retrato mais fiel do sistema financeiro angolano em 2025: um sector privado a ganhar robustez, e um banco central cujos resultados reflectem o peso crescente do seu papel como financiador do Estado.

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