OT-NR representam 68,55% das transacções. Entrada do BFA no mercado accionista em Setembro de 2025 impulsionou capitalização bolsista para AOA 472 mil milhões.
O mercado de capitais angolano registou um crescimento homólogo de aproximadamente 123% no volume de negociação na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), passando de cerca de AOA 1,30 mil milhões (US$ 1,42 milhões) para AOA 2,90 mil milhões (US$ 3,18 milhões).
O peso do mercado no Produto Interno Bruto aumentou de 4,32% para 8,34%, evidenciando uma recuperação robusta do mercado de capitais angolano.
Instrumentos mais negociados
Os instrumentos mais transaccionados no período foram as Obrigações de Tesouro Não-Reajustáveis (OT-NR), com uma representatividade de 68,55% do volume total, demonstrando uma clara apetência dos investidores por este segmento.
A distribuição completa das transacções em mercado regulamentado foi a seguinte:
→ OT-NR: 68,55%
→ Obrigações de Tesouro em Moeda Estrangeira (OT-ME): 24,30%
→ Bilhetes de Tesouro: 5,44%
→ Acções: 1,21%
→ Obrigações de Particulares (OP): 0,50%
→ Unidades de Participação (UP): 0,0002%
Capitalização bolsista cresce 203%
A capitalização bolsista situou-se em AOA 472 mil milhões (US$ 5,17 milhões), correspondendo a um aumento de 203,09% face ao período homólogo.
A entrada do Banco de Fomento Angola (BFA) no mercado de acções, em Setembro de 2025, originou um aumento significativo na capitalização bolsista e uma valorização geral das acções negociadas na bolsa.
Entidades supervisionadas
De acordo com Valter Adriano, técnico de Estatística e Planeamento Estratégico da Comissão do Mercado de Capitais (CMC), até 31 de Março de 2026 encontravam-se registadas pelo menos 270 entidades sob supervisão da CMC, incluindo auditores externos, consultores de investimento e analistas financeiros, corretoras e distribuidoras de valores mobiliários, organismos de investimento colectivo, entidades certificadoras, instituições bancárias na qualidade de agentes liquidadores e a própria Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) enquanto sociedade gestora de mercados regulamentados.
PME e o mercado de capitais
Relativamente ao segmento do Mercado de Pequenas e Médias Empresas (MPME), lançado há quatro anos pela BODIVA, o director do Departamento de Estudo, Estratégia e Comunicação, Dalvim Pipa, reconheceu que a Comissão do Mercado de Capitais (CMC) tem trabalhado para flexibilizar os requisitos de acesso a este segmento.
O responsável destacou o programa Emergente como exemplo concreto, através do qual as PME apresentam o seu negócio a Sociedades Gestoras de Capital de Risco. Estas têm a atribuição de identificar, acompanhar e ajudar as empresas a criarem robustez — representando uma forma de financiamento via mercado de capitais fora da bolsa.
Fonte: O Telegrama
