De 37.158 negócios a Kz 304,84 mil milhões mobilizados: Elmer Serrão avalia o ano de maior profundidade da bolsa angolana

De 37.158 negócios a Kz 304,84 mil milhões mobilizados: Elmer Serrão avalia o ano de maior profundidade da bolsa angolana De 37.158 negócios a Kz 304,84 mil milhões mobilizados: Elmer Serrão avalia o ano de maior profundidade da bolsa angolana

O mercado de capitais angolano fechou 2025 com indicadores sem precedentes. A capitalização bolsista atingiu 4.169,43 mil milhões de kwanzas, um crescimento de 202,32% face ao ano anterior. O número de negócios atingiu o máximo histórico de 37.158 transacções — mais 259,74% face a 2024 — e foram abertas 12.875 novas contas na CEVAMA. É o retrato de um mercado que, nas palavras de Elmer Serrão, Presidente do Conselho de Administração da Comissão do Mercado de Capitais (CMC), “tem-se tornado cada vez mais relevante para o financiamento da economia”.

Em entrevista ao estudo “Banca em Análise 2026” da Deloitte, Elmer Serrão aponta a oferta pública inicial do BFA, a emissão de obrigações pelo BAI e o primeiro papel comercial emitido pela Etu Energias como “sinais de maturidade deste segmento do sistema financeiro”.

O activo sob gestão dos Organismos de Investimento Colectivo (OIC) cresceu 31,99%, com o registo do primeiro Fundo de Titularização em Angola.

Mercado de capitais como alternativa à banca

Para Elmer Serrão, o mercado de capitais apresenta-se como mecanismo complementar ao papel da banca, disponibilizando instrumentos de financiamento de longo prazo que permitem às empresas e ao Estado mobilizar capital de forma estruturada.

O marco mais significativo de 2025 foi a OPI do BFA, que captou cerca de 220,9 mil milhões de kwanzas, elevando para aproximadamente 292,60 mil milhões o total de capital mobilizado via oferta pública inicial em Angola. O mercado conta actualmente com cinco empresas cotadas: BAI, BCGA, ENSA, BODIVA e BFA.

A este registo juntam-se emissões obrigacionistas privadas do Standard Bank Angola, do BAI, da Griner e da Sonangol, além da emissão de papel comercial pela Etu Energias — operações que permitiram a estas empresas obterem financiamento via mercado de capitais no montante total de aproximadamente 304,84 mil milhões de kwanzas.

Do lado da dívida soberana, o Estado captou no mercado de capitais doméstico, em 2025, aproximadamente 13,53 biliões de kwanzas por via da emissão de Bilhetes do Tesouro e Obrigações do Tesouro, conforme boletim estatístico divulgado pela Unidade de Gestão da Dívida (UGD).

A complementaridade entre mercado de capitais e banca é igualmente visível nos fundos de capital de risco supervisionados pela CMC, que acumulam investimentos de cerca de 44,22 mil milhões de kwanzas em sectores estratégicos como saúde, agronegócio e mineração.

Digitalização como condição estrutural

A tecnologia ocupa lugar central na visão de Elmer Serrão para o desenvolvimento do mercado. “Em mercados emergentes como o nosso, a digitalização não é apenas um factor de eficiência operacional: é, acima de tudo, um instrumento de inclusão, de transparência e de credibilidade institucional”, afirma o presidente da CMC.

Do lado regulatório, a digitalização dos processos de registo, autorização e reporte permitiu encurtar prazos de resposta, padronizar a recolha de informação prudencial e libertar capacidade técnica para a análise de risco. O crescimento histórico do número de negócios em 2025 foi sustentado por plataformas electrónicas da BODIVA e dos intermediários financeiros, “sem as quais este nível de actividade seria operacionalmente inviável”, sublinha Elmer Serrão.

Do lado do investidor, a divulgação tempestiva de factos relevantes, prospectos e relatórios de gestão por canais electrónicos reduziu as assimetrias de informação e aproximou o mercado do cidadão comum.

Quanto à maturidade tecnológica dos agentes de mercado, o presidente da CMC regista sinais positivos — mais de cinco home brokers operam actualmente em Angola — mas reconhece que o caminho ainda é longo. “O importante não é onde estamos hoje, mas a trajectória que estamos a seguir, e essa trajectória é, na nossa leitura, positiva”, afirma.

A CMC posiciona-se não apenas como regulador, mas como parceira na inovação. “Acreditamos que o diálogo permanente com os players do mercado é a melhor forma de garantir que as exigências tecnológicas são proporcionais, realistas e progressivas”, conclui Elmer Serrão.

Fonte: Deloitte Angola — Banca em Análise 2026

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