ENDE regista lucro de 7,71 mil milhões de kwanzas em 2025 e inverte década de perdas acumuladas

ENDE regista lucro de 7,71 mil milhões de kwanzas em 2025 e inverte década de perdas acumuladas ENDE regista lucro de 7,71 mil milhões de kwanzas em 2025 e inverte década de perdas acumuladas

Receita operacional cresceu 88% para 240,4 mil milhões de kwanzas. Perdas na rede reduzidas para 18,5%. Carteira de clientes atinge 2,24 milhões.

A Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) encerrou o exercício de 2025 com um lucro líquido de 7,71 mil milhões de kwanzas, invertendo uma trajectória de perdas que marcou profundamente a empresa na última década.

O resultado representa uma ruptura com um ciclo financeiro adverso em que a distribuidora acumulou prejuízos de 465,4 mil milhões de kwanzas ao longo de sete anos consecutivos, entre 2017 e 2023, equivalentes a 836,4 milhões de dólares à taxa de câmbio de fim de período de cada exercício.

Resultados operacionais

No plano operacional, a ENDE registou uma receita de 240,4 mil milhões de kwanzas, correspondente a um crescimento de 88% face ao ano anterior.

A carteira de clientes expandiu para 2,24 milhões, suportada pela instalação de mais de 218 mil novos contadores.

As perdas técnicas e comerciais na rede foram reduzidas para 18,5%, reflectindo ganhos de eficiência na distribuição e na recuperação de receitas.

Segundo a administração, os resultados decorrem de um processo estruturado de transformação digital e reestruturação interna.

A empresa mantém em curso projectos de investimento avaliados em 947 milhões de dólares e projecta consolidar a trajectória de crescimento ao longo de 2026.

O peso do historial

A dimensão da recuperação ganha maior relevo quando enquadrada no historial recente da empresa.

Entre 2017 e 2023, a ENDE registou lucros apenas uma vez — em 2018, no valor de 1,3 mil milhões de kwanzas.

No período entre 2019 e 2024, a empresa perdia em média 4.206 milhões de kWh de energia facturada por ano, o equivalente a aproximadamente 42% da electricidade disponível para comercialização.

A fragilidade na cobrança constituía um dos principais vectores de desequilíbrio financeiro. No primeiro semestre de 2024, a taxa de cobrança efectiva fixou-se em 46%, significativamente abaixo da meta de 69% estabelecida pela própria empresa para esse exercício.

Em paralelo, a dívida acumulada dos clientes ultrapassou os 300 mil milhões de kwanzas, condicionando a capacidade de investimento e de expansão da rede.

Causas estruturais e reformas em curso

As causas estruturais identificadas ao longo dos anos incluíam as baixas tarifas praticadas num sector fortemente subsidiado pelo Estado e a ineficiência operacional, factores que colocavam em risco a viabilidade financeira da empresa e sinalizavam a necessidade urgente de reformas.

Os resultados agora divulgados sugerem que as medidas adoptadas começam a produzir efeitos mensuráveis. A consolidação do equilíbrio financeiro depende, contudo, da continuidade das reformas e da evolução do quadro tarifário e regulatório do sector eléctrico angolano.

Fonte: Jornal Economia e Finanças

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