FMI avisa “tempos difíceis” mas Angola pode beneficiar da crise

FMI avisa “tempos difíceis” mas Angola pode beneficiar da crise FMI avisa “tempos difíceis” mas Angola pode beneficiar da crise

O Diretor‑geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, advertiu que o mundo tem de se preparar para “tempos difíceis” embora o choque provocado pelo conflito no Médio Oriente possa gerar oportunidades para Angola.

Alerta global do FMI
Georgieva descreve o impacto da guerra como um choque “amplo, global e assimétrico”, cujo reflexo já é visível em todos os sectores. A diretora‑geral sublinhou que, mesmo que o conflito fosse breve, a perturbação física nas cadeias de abastecimento – sobretudo na Ásia, grande importadora de petróleo do Golfo – seria significativa.

Perturbações energéticas e projeções econômicas
→ Redução de 13 % no fluxo diário de petróleo.
→ Queda de até 20 % no fluxo de gás natural liquefeito (GNL).
Em cenário moderado, o crescimento mundial deve abrandar para 3,1 % em 2024, com inflação global a 4,4 %. No pior cenário, a taxa de crescimento pode recuar para 2 % e a inflação ultrapassar 6 %.

Impacto geográfico
A região do Médio Oriente, Norte de África e Ásia Central sente os efeitos mais intensos. Países emergentes e em desenvolvimento enfrentarão maior pressão inflacionista, enquanto as economias avançadas deverão voltar a índices de perto de 2 % apenas em 2027.

Potenciais pedidos de assistência
O FMI estima que o conflito poderá originar entre 20 mil e 50 mil milhões de dólares em novos pedidos de ajuda financeira de países vulneráveis.

Cenário angolano
Angola encontra‑se entre as economias africanas mais favorecidas pela alta dos preços do petróleo e pela melhoria da situação da dívida. O Orçamento Geral do Estado 2026 foi construído com o preço médio de 61 dólares por barril; com o Brent a cotar bem acima desse patamar, o país pode captar receitas adicionais substanciais, reforçando a sua capacidade orçamental.

Contudo, como grande importador de alimentos e de produtos petrolíferos refinados, Angola corre o risco de ver ↑ os custos de importação, translate‑do em elevações nos preços dos transportes, da energia e, em cadeia, dos bens alimentares e não alimentares.

Pronóstico de crescimento
O FMI revisou em alta a projeção de crescimento de Angola para 2,3 % em 2026, num contexto em que a taxa média de expansão da África subsaariana deve permanecer em torno de 4,3 %.

Perspetivas futuras
Georgieva alertou que o pior cenário levará algumas economias à recessão, com inflação global superior a 6 % e dificuldades crescentes para conter as expectativas inflacionárias. O desenrolar do conflito continua a gerar incerteza, mas Angola pode transformar a conjuntura num impulso para o seu planeamento fiscal e económico.

Redação Líder

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