Grupo lidera reversão gradual dos cortes de 2023. Angola saiu da organização há dois anos e perdeu influência nas decisões que continuam a determinar o preço do Brent.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e os seus aliados (OPEP+) aprovou este fim de semana um aumento de produção de 188.000 barris por dia para o mês de Julho, repetindo o ajuste já implementado em Junho.
O grupo, liderado pela Arábia Saudita e pela Rússia, tem vindo a reverter gradualmente os cortes voluntários de 1,65 milhões de barris por dia decididos em 2023 para sustentar os preços do crude.
“Como parte do seu compromisso colectivo com a estabilidade do mercado petrolífero, decidiu implementar um ajuste na produção de 188.000 barris por dia” em Julho, anunciou a organização em comunicado, citado pela Lusa.
Angola assiste a estas decisões de fora. Em Dezembro de 2023, após 16 anos de participação, Luanda anunciou a saída da organização, invocando que as quotas impostas — fixadas em 1,11 milhões de barris por dia — ficavam aquém do potencial de produção pretendido. O argumento era simples: Angola não ganhava nada em manter-se numa organização que limitava a sua capacidade de exportar.
Dois anos depois, o balanço é misto.
A produção angolana cresceu marginalmente após a saída, situando-se nos 1,07 milhões de barris por dia em 2025, com previsão de atingir 1,14 milhões em 2026, sustentada pela entrada em funcionamento de novos projectos petrolíferos.
Mas os ganhos ficaram muito aquém do esperado. E Angola perdeu influência num fórum onde se tomam decisões que movem o mercado global.
Preços em queda e receitas sob pressão
Em 2025, Angola arrecadou 24,4 mil milhões de dólares com exportações de petróleo, uma queda de 22% face a 2024. O crude foi comercializado a uma média de 68,4 dólares por barril.
A descida dos preços, influenciada em parte pela política de oferta da OPEP+, ilustra o paradoxo da situação angolana: fora da mesa onde se discutem as regras, mas plenamente exposta às suas consequências.
As decisões da OPEP+ continuam a determinar directamente o preço do Brent, referência para as exportações angolanas — independentemente de Luanda participar ou não nas negociações.
Contexto da reversão dos cortes
A OPEP+ tinha decidido em 2023 um corte voluntário de 1,65 milhões de barris por dia para controlar os preços do crude. O aumento de Julho é mais um passo na reversão gradual dessas restrições, estratégia que o grupo tem vindo a implementar desde há um ano.
O ajuste de Junho foi igualmente o primeiro adoptado após a saída dos Emirados Árabes Unidos da organização.
Fonte: Jornal Mercado e Jornal de Angola
