Petrolífera angolana beneficia das participações no BCP e na Galp num ano em que a Euronext Lisboa distribuiu 3,14 mil milhões de euros em lucros
A Sonangol figura entre os maiores beneficiários da época de dividendos das cotadas portuguesas, angariando 277 milhões de euros através das suas participações no Millennium BCP e na Galp. O valor integra o fluxo de 1,07 mil milhões de euros que sairá de Portugal para investidores estrangeiros em 2025 — ano em que o PSI registou a maior valorização desde 2009, próxima dos 30%.
No total, 21 cotadas portuguesas — 15 do PSI e seis do PSI Geral — vão distribuir 3,14 mil milhões de euros aos accionistas referentes aos resultados do exercício anterior. Apesar de a percentagem destinada aos maiores accionistas internacionais ser inferior à do ano anterior, o montante absoluto a distribuir é mais elevado.
Do total distribuído, 34% — equivalente a 1,07 mil milhões de euros — sai de Portugal para investidores estrangeiros, uma descida face aos 39% registados no ano precedente. A redução é explicada pela diminuição de pequenas participações de grandes fundos internacionais nas cotadas portuguesas.
Angola e China concentram 59% do montante que abandona o país. Os investidores chineses recebem a maior fatia, com 356 milhões de euros, enquanto a Sonangol fica com 277 milhões de euros — o segundo maior fluxo individual de capital estrangeiro saído da bolsa de Lisboa este ano.
Galp pode aumentar os ingressos da Sonangol
A petrolífera angolana poderá ainda beneficiar adicionalmente do programa de recompra de acções da Galp, no valor de até 250 milhões de euros, em curso desde o início de Março. Se a Sonangol avançar nesse processo, os ingressos totais poderão superar os 277 milhões de euros já garantidos pelos dividendos.
A posição chinesa em Portugal
Os accionistas chineses, presentes no BCP, na EDP, na Mota-Engil e na REN, têm visto crescer gradualmente os dividendos recebidos das cotadas portuguesas. No BCP, do qual a Fosun detém 20,45%, está ainda previsto um programa de recompra de acções que deverá rondar os 407 milhões de euros. A distribuição de 90% dos lucros deverá tornar-se regra caso as propostas do conselho de administração sejam aprovadas em assembleia geral.
Os grandes fundos internacionais
Entre os principais gestores globais presentes na bolsa portuguesa, a BlackRock lidera os encaixes com 162 milhões de euros, beneficiando de posições superiores a 2% no BCP, EDP, Galp e Jerónimo Martins. A Vanguard receberá 56,7 milhões de euros, enquanto a Massachusetts Financial Services e a Fidelity arrecadarão cerca de 20 e 17 milhões de euros, respectivamente. O fundo soberano da Noruega, que em 2024 registou a maior exposição de sempre ao mercado accionista, receberá 48,3 milhões de euros apenas pela participação na EDP.
A maior parte dos dividendos permanece em Portugal, distribuída entre accionistas nacionais e pequenos investidores com participações inferiores a 2%. No PSI Geral, seis empresas — Glintt Global, Martifer, Media Capital, Ramada, Sonaecom e Toyota Caetano — reforçam esse fluxo interno, dado que os seus principais accionistas são residentes em Portugal.
