Sonangol detém 36,7% no Greater PAJ, projecto de USD 5,1 mil milhões que vai travar declínio da produção petrolífera angolana

Sonangol detém 36,7% no Greater PAJ, projecto de USD 5,1 mil milhões que vai travar declínio da produção petrolífera angolana Sonangol detém 36,7% no Greater PAJ, projecto de USD 5,1 mil milhões que vai travar declínio da produção petrolífera angolana

A Sonangol detém uma participação de 36,7% no projecto Greater PAJ, um investimento de USD 5,1 mil milhões localizado no offshore angolano, que está a ser desenvolvido em conjunto com a Azule Energy e a Equinor. O anúncio foi feito pelo Presidente do Conselho de Administração da petrolífera estatal, Sebastião Pai Querido Gaspar Martins, na cerimónia de apresentação da Decisão Final de Investimento (FID), realizada esta segunda-feira, 22, em Luanda.

“O papel da Sonangol neste projecto é o de um parceiro activo no grupo empreiteiro, onde estamos com a Azule e com a Equinor. Temos 36,7% neste projecto e isto vai permitir que a outra parte da produção de Angola e também da Sonangol sofra um incremento”, afirmou o PCA da maior empresa do país.

Sebastião Pai Querido Gaspar Martins sublinhou a relevância histórica do projecto para Angola. “Há muito tempo que não tínhamos projecto dessa natureza. Para Angola, é um incremento e uma ajuda na sustentabilidade no que toca à produção. E nós, como empresa, beneficiamos como parceiros da produção adicional que teremos deste bloco”, declarou.

O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, foi directo sobre o impacto estratégico da iniciativa: o Greater PAJ, com previsão de produção diária de 95.000 barris, vai mitigar os efeitos do declínio natural da produção petrolífera em Angola. O projecto está a ser implementado nos Blocos 31 e 31/21 e deverá contribuir para garantir níveis sustentáveis de produção a médio e longo prazo, com impacto directo nas receitas fiscais e na estabilidade macroeconómica do país.

Um projecto de escala subsaariana

O Greater PAJ reúne cinco campos offshore — Pala, Astraea, Juno, Urano e Dione — distribuídos pelos Blocos 31 e 31/21, localizados a aproximadamente 200 quilómetros da costa de Angola. O desenvolvimento consiste em 17 poços conectados a uma nova FPSO com capacidade nominal de 95.000 barris de petróleo por dia e capacidade de exportação de gás de 70 milhões de pés cúbicos por dia, entregue à Angola LNG via nova linha de exportação ligada à rede existente do Bloco 31.

A Azule Energy, operadora do projecto, é detida em partes iguais pela Eni e BP, com a Sonangol E&P e a Equinor como parceiros.

A execução ficou a cargo de dois dos maiores empreiteiros offshore do mundo. A Saipem assinou um contrato de USD 1 mil milhão para serviços de transporte e instalação, com duração de cerca de 40 meses. O âmbito inclui a engenharia, fabricação, transporte e instalação de aproximadamente 180 quilómetros de tubagens rígidas em profundidades até 2.000 metros, além de 38 quilómetros de flowlines flexíveis e jumpers e 54 quilómetros de umbilicais. A fabricação será realizada no estaleiro Ambriz da Saipem em Angola, com envolvimento de empresas e força de trabalho locais.

A TechnipFMC foi seleccionada para o fornecimento de flowlines flexíveis e risers destinados a conectar os poços à nova FPSO, num contrato situado na gama de USD 75 milhões a USD 250 milhões.

Conteúdo local como prioridade

Diamantino Azevedo destacou ainda a componente de conteúdo local do projecto. O Greater PAJ prevê cerca de 1,8 milhões de horas de trabalho local associadas à construção, montagem e operação das suas infra-estruturas — uma “oportunidade concreta” para a geração de emprego, formação e valorização do capital humano angolano.

A primeira produção está prevista para 2029.

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