Segundo o relatório, o sistema bancário registou um crescimento de 20,8% no produto bancário, impulsionado pela dinâmica da margem financeira e pelo desempenho dos resultados cambiais, que aumentaram cerca de 29,4% face ao exercício anterior.
A melhoria da eficiência operacional também marcou o ano. O rácio cost-to-income recuou para 47,4%, representando uma melhoria de cerca de três pontos percentuais relativamente a 2024, enquanto o rácio de fundos próprios regulamentares permaneceu acima dos 23%, evidenciando a solidez do sector.
Crédito e depósitos mantêm trajectória ascendente
O financiamento à economia registou um novo impulso em 2025. O crédito concedido a clientes cresceu mais de 20%, enquanto o rácio de transformação aumentou para 36,3%, sinalizando uma maior predisposição dos bancos para apoiar a actividade económica.
Por sua vez, os depósitos cresceram perto de 9%, acompanhando a evolução da massa monetária e reforçando a capacidade de captação de recursos do sistema financeiro.
De acordo com a Deloitte, estes indicadores demonstram uma banca mais activa no apoio à economia, ao mesmo tempo que preserva níveis confortáveis de solvabilidade e liquidez.
Standard Bank Angola lidera rentabilidade
Entre os principais indicadores analisados, o estudo destaca o retorno dos capitais próprios médios (ROAE), onde o Standard Bank Angola (SBA) assumiu a liderança em 2025 com 44,2%.
No Top 5 dos bancos com maior rentabilidade encontram-se:
- Standard Bank Angola (44,2%)
- Banco da China Limitada—Sucursal em Luanda – BOCLB (43,7%)
- Banco de Comércio e Indústria – BCI (38,6%)
- Banco Keve (36,1%)
- Banco Angolano de Investimentos – BAI (35,8%)
O Banco de Fomento Angola (BFA) ocupou a sétima posição, com um ROAE de 30,6%.
BAI, BFA e BCH entre os mais eficientes
No capítulo da eficiência operacional, o relatório destaca mudanças relevantes na posição relativa das instituições financeiras.
O BOCLB manteve-se como o banco mais eficiente, enquanto BCH, BAI e BFA passaram a integrar o grupo dos cinco bancos com melhor desempenho em termos de eficiência operacional.
A Deloitte sublinha que o crescimento do número de clientes em 6,3% e dos recursos captados em 8,6% demonstra que a banca conseguiu expandir a sua actividade sem comprometer os ganhos de eficiência.
Sector enfrenta nova geração de desafios
Apesar dos resultados positivos, o estudo refere que a banca angolana entra numa nova fase de desafios.
Entre os principais temas identificados estão:
- Financiamento da diversificação económica;
- Apoio às pequenas e médias empresas;
- Desenvolvimento dos sectores agrícola e industrial;
- Reforço da inclusão financeira;
- Transformação digital;
- Cibersegurança;
- Implementação de soluções baseadas em inteligência artificial.
A Deloitte destaca ainda que uma parte significativa da população continua fora do sistema financeiro formal, sobretudo nas zonas rurais, tornando a inclusão financeira uma prioridade estratégica para os próximos anos.
Tecnologia e inovação ganham protagonismo
A edição de 2026 dedica especial atenção ao potencial da inteligência artificial na concessão de crédito, incluindo modelos baseados em Agentic AI, considerados uma das tendências emergentes para o sector.
O crescimento dos pagamentos electrónicos, das soluções de pagamento instantâneo e a evolução para modelos de Open Banking também são apontados como factores que continuarão a transformar a relação entre bancos, clientes e economia.
Ao assinalar a sua 20.ª edição, o estudo conclui que a banca angolana se apresenta hoje mais robusta, resiliente e alinhada com as melhores práticas internacionais, mas terá de continuar a investir em inovação, eficiência e financiamento da economia real para sustentar o seu crescimento nos próximos anos.
