Wall Street retoma liderança sobre a Europa enquanto o petróleo ultrapassa os 100 dólares

Wall Street retoma liderança sobre a Europa enquanto o petróleo ultrapassa os 100 dólares Wall Street retoma liderança sobre a Europa enquanto o petróleo ultrapassa os 100 dólares

As bolsas europeias fecham a sexta‑feira em território negativo, prolongando as perdas semanais que eliminaram a vantagem anteriormente conquistada face aos mercados norte‑americanos, num contexto de subida dos preços do petróleo e incertas perspetivas de conclusão do conflito no Médio Oriente.

O índice pan‑europeu Stoxx 600 registrou declínio de cerca de 0,68 % ao longo da manhã, afastando‑se dos níveis elevados alcançados no fim de fevereiro. No horizonte anual, o ganho do Stoxx 600 situa‑se em torno de 3,3 %, inferior aos 3,8 % acumulados pelo S&P 500.

Nos Estados Unidos, a trajectória positiva mantém‑se sustentada sobretudo pelo sector tecnológico e pelo entusiasmo gerado pela inteligência artificial, que continua a impulsar resultados e expectativas. Em contraste, a actual época de divulgação de resultados na Europa tem sido menos dinâmica, incapaz de sustentar os mercados locais. “A liderança dos EUA está de volta, muito por força do domínio em áreas como tecnologia e semicondutores”, afirmou David Kruk, director de negociação da La Financière de l’Echiquier, citado pela Bloomberg.

Petróleo encarece custos europeus
O barril de referência Brent crude negocia próximo dos 107 dólares, cerca de 10 dólares acima do WTI crude, intensificando a pressão sobre os custos energéticos nas economias da UE. Este diferencial aumenta os receios sobre o impacto da crise energética na actividade económica europeia e reforça a atracção dos mercados norte‑americanos. Entre os principais índices europeus, destacam‑se as quedas do DAX alemão ‑ 0,32 %, do FTSE MIB ‑ 1,01 % e do IBEX 35 ‑ 1,26 %. O AEX bastou recuar ‑ 0,19 %, o FTSE 100 caiu ‑ 0,72 % e o CAC 40 registou baixa de ‑ 1,16 %.

Excepções positivas
A SAP, empresa tecnológica alemã, destacou‑se ao subir mais de 6 % após divulgar receitas e resultados acima das expectativas, demonstrando resiliência para alguns players do sector tecnológico.

Implicações macroeconómicas
A pressão prolongada dos preços de energia pressiona a recuperação económica da Europa, tornando‑a mais vulnerável a choques externos e reduzindo a competitividade das indústrias intensivas em energia. Ao mesmo tempo, a vantagem relativa dos mercados norte‑americanos, impulsionada pela inovação tecnológica, poderá atrair capitais internacionais, reforçando a preferência dos investidores por ativos menos expostos a volatilidades energéticas.

O cenário que começou o ano com as bolsas europeias a superar Wall Street, em parte devido à instabilidade gerada por declarações e políticas do Presidente dos Estados Unidos, começa a invertir. Os investidores parecem estar a redirecionar‑se para os mercados norte‑americanos em busca de maior estabilidade e potencial de crescimento.

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