ANPG coloca risco de branqueamento de capitais em nível médio

ANPG coloca risco de branqueamento de capitais em nível médio ANPG coloca risco de branqueamento de capitais em nível médio

De acordo com os dados do relatório, a ameaça de ocorrência de práticas de branqueamento de capitais no upstream do sector petrolífero nacional é classificada como médio-baixo, enquanto a vulnerabilidade do sector é considerada médio, com um índice de 0,49. O cruzamento destes dois factores posiciona o risco global num patamar intermédio, ou seja, não crítico, mas suficientemente relevante para exigir atenção contínua.

Em termos práticos, isto significa que o sector petrolífero não é, neste momento, o mais exposto a práticas ilícitas de branqueamento de capitais, mas também não está imune. Segundo a ANPG, a Concessionária Nacional tomou a iniciativa de realizar esta avaliação sectorial de risco do segmento upstream, com a pretensão de fortalecer o sector nestas matérias, bem como a sua função fiscalizadora no domínio da conformidade e do alinhamento aos requisitos do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI).

Ao analisar o peso do custo de cada entidade avaliada no sector petrolífero, constata-se que os custos e, por consequência, os fluxos financeiros estão fortemente concentrados em poucas entidades. O Grupo Sonangol lidera com 25,62% dos custos no upstream entre as dez (10) empresas avaliadas, valor que sobe para 29,19% após ajustamentos. A Azule Energy surge logo a seguir, com 23,70% (27,01%), o que significa que, juntas, estas duas entidades concentram mais de metade da estrutura de custos do sector.

Outros operadores de grande dimensão reforçam esse quadro de concentração, como a TotalEnergies, com 13,47% (15,34%), a Esso, com 9,46% (10,78%), e a Chevron, com 8,16% (9,30%). A Equinor completa o grupo com 6,22% (7,09%). Em contrapartida, empresas como a Etu Energias, a Acrep S.A., o Grupo Simples e a Alfort têm um peso residual nos custos do sector petrolífero (upstream), inferior a 1%.

Roteiro para reforçar controlo

A análise das vulnerabilidades do sector petrolífero nacional, no segmento upstream, resultou na definição de um conjunto estruturado de recomendações destinadas a reforçar os mecanismos de Prevenção de Branqueamento de Capitais (PBC), numa altura em que a pressão por maior transparência e conformidade regulatória se intensifica.

O diagnóstico identificou 13 vulnerabilidades nos sistemas de controlo das entidades petrolíferas, às quais correspondem 11 recomendações específicas. Estas medidas foram organizadas com base num critério duplo: prioridade e esforço, permitindo uma abordagem mais estratégica e orientada para resultados.

A prioridade das recomendações foi definida com base num ranking automático desenvolvido pelo Banco Mundial, que classifica as vulnerabilidades de acordo com o seu grau de risco. Assim, recomendações de prioridade elevada estão associadas às falhas mais críticas (níveis 1 e 2), exigindo resposta urgente. As de prioridade média correspondem a riscos intermédios (nível 3), enquanto as de prioridade reduzida dizem respeito a vulnerabilidades menos significativas (nível 4).

Paralelamente, o esforço de implementação foi avaliado tendo em conta o investimento financeiro e a complexidade operacional. Recomendações de esforço elevado implicam custos superiores a US$ 700 mil e maior exigência de coordenação institucional, muitas vezes com dependência de stakeholders externos. Já as de esforço médio situam-se entre 150 mil e US$ 700 mil, com desafios moderados, enquanto as de esforço reduzido apresentam baixo custo e execução relativamente simples.

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