Depois dos Camarões, o alto pontífice aterrou no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda, e foi recebido pelo Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, que esteve ladeado pela esposa, Ana Dias Lourenço, Primeira-Dama da República.
Logo após a chegada, o Papa Leão XIV reuniu-se no salão protocolar da presidência, numa cerimónia em que estiveram presentes, entre outras individualidades, membros do executivo, autoridades tradicionais, membros do corpo diplomático e líderes partidários.
No seu primeiro pronunciamento, Papa defendeu a necessidade de se quebrar “a cadeia de interesses”, afirmando que o continente africano deve ultrapassar a conflitualidade e a inimizade.
“Demasiadas vezes, olha-se para as vossas terras mais frequentemente para tirar algo”, disse o Sumo Pontifice, acrescentando ser “necessário quebrar esta cadeia de interesses que reduz a realidade e a própria vida a uma mera mercadoria”.
Considerando África como a “reserva de alegria e da esperança”, Leão XIV lembrou que os jovens e os mais pobres “ainda sonham, ainda esperam, não se contentam com o que já existe”.
“Em todas as partes do mundo, vemos como ela, no fundo, alimenta um modelo de desenvolvimento que discrimina e exclui, mas que ainda pretende se impor como o único possível”.
Dirigindo-se directamente às autoridades políticas e governamentais do país, o líder católico afirmou que “Angola pode crescer muito se, em primeiro lugar, vós, que detendes autoridade no país, acreditardes na multiformidade da sua riqueza”, disse Papa, apelando, mais uma vez, em saber gerir os conflitos, “transformando-os em caminhos de ligação”.
OS COMPROMISSOS QUE AGUARDAM O PAPA
A viagem apostólica tem como lema “Papa Leão XIV: Peregrino da Esperança, Reconciliação e Paz”.
Esta é a terceira etapa da maior viagem internacional do actual pontificado, que se iniciou segunda-feira na Argélia e prosseguiu, desde quarta-feira, nos Camarões.
Amanhã (19.04), está previsto a celebração de uma Missa na localidade do Kilamba, a 30 quilómetros de Luanda, e a recitação do terço no Santuário mariano da Muxima, um dos centros da devoção católica em Angola.
Na segunda-feira, dia 20, o Papa segue até Saurimo, no leste do país, para visitar uma casa de acolhimento de idosos e presidir à Eucaristia, regressando a Luanda ao final da tarde para um encontro com os bispos e os agentes pastorais, na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima.
Na terça-feira, dia 21, Leão XIV parte para última etapa da sua viagem apostólica a África, seguindo a Guiné Equatorial, numa deslocação que encerrará no dia 23.
