A produção mundial de petróleo diminuiu 10,1 milhões de barris por dia em março, consequência direta da guerra no Médio Oriente, constituindo a maior queda registrada, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).
No relatório mensal sobre o mercado petrolífero divulgado nesta terça‑feira, a AIE apontou que, em março, as perdas acumuladas devido ao conflito superaram 360 milhões de barris, projetêndo‑se um aumento para 440 milhões de barris em abril.
No início de abril, o bloqueio quase total do Estreito de Ormuz pelo Irão limitou o tráfego de 3,8 milhões de barris diários de crude, gás natural e produtos refinados, comparado com mais de 20 milhões de barris alí transitados em fevereiro, antes das hostilidades.
Embora países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque tenham ativado rotas alternativas para exportar parte dos hidrocarbonetos fora do estreito, as perdas nas exportações de petróleo ultrapassam 13 milhões de barris por dia, sendo parcialmente compensadas pelas reservas, que continuam a escoar.
Em termos de procura, a AIE revogou significativamente as previsões para 2024, estimando agora uma média de 104,259 milhões de barris diários, o que representa 730 mil barris a menos do que calculado em março, nos primeiros dias da guerra.
Entre o segundo e o quarto trimestre, a redução no consumo será de 1,5 milhão de barris por dia, a queda mais “abrupta” desde o início da crise da covid‑19 em 2020. Caso as interrupções persistam, a diminuição da procura poderá chegar a cinco milhões de barris diários em termos homólogos nesse mesmo período.
O relatório adverte que, se as restrições à produção e exportação de petróleo do Médio Oriente continuarem elevadas, será necessário recorrer a reservas a ritmos “insustentáveis” de seis milhões de barris diários, totalizando 2 mil milhões de barris ao longo do ano.
Fatih Birol, director executivo da AIE, previu que “abril será pior que março” para o sector energético, mesmo que se encontre uma saída para a guerra, destacando que, ao contrário do mês anterior, não será possível abastecer o mercado com petroleiros carregados no Golfo Pérsico. “É a crise energética mais grave da história”, alertou Birol, enfatizando o impacto sobre “petróleo, gás natural e também outros produtos essenciais, como fertilizantes, petroquímicos e hélio”.
Fonte: Agência Internacional de Energia
