A estratégia por trás do fenómeno Bia Caboz

A estratégia por trás do fenómeno Bia Caboz A estratégia por trás do fenómeno Bia Caboz

Fado em novas linguagens: a artista vê‑se como ponte entre gerações

Artista afirma que não pretende “salvar” o género, mas introduzi‑lo a públicos jovens através de fusões electrónicas

A cantora defende o seu papel como ligação entre a tradição fadista e sonoridades contemporâneas, sustentando que o Fado pode ser “cool” e internacional. Num interview, revela que o single “Sentir Saudade”, certificado como platina e já repetido ao‑viv O Tomorrowland, nasce da intenção deliberada de criar identidade e alcance global, apostando na colaboração com DJs para atingir o público jovem.

Aprofundamento da estratégia musical
→ “Sentir Saudade” foi concebido para juntar a melodia tradicional fadista a uma produção electrónica, mantendo a “verdade” do género.
→ O objetivo de propagação levou ao contacto com um DJ influente, garantindo a inserção da música em festivals de grande dimensão.
→ O sucesso comercial demonstra que o Fado pode coexistir com stile eletrónico sem perder a sua essência emotiva.

Influência de Ana Moura e liberdade criativa
A artista reconhece a influência de Ana Moura nos três aspectos – inspiração, exigência e liberdade – salientando que a liberdade pesa mais ao permitir respeito pela tradição sem ficar consagrado a ela. A exigência da mentora exige autenticidade, mas a liberdade abre caminho a experimentações como guitarras portuguesas em ritmo de samba ou inclusive rap no último álbum.

Limites da fusão sem descaracterizar o Fado
Para a cantora, a linguagem fadista reside na palavra, no silêncio e na entrega, não necessariamente no instrumento. Assim, uma guitarra portuguesa a tocar samba continua a ser samba, enquanto cantar rap não o converte em fado. A fusão pode ir “muito longe” desde que a intenção criativa se mantenha coerente com a essência do género.

A experiência demonstra que o Fado pode ser contemporâneo, comercial e internacional, potenciando novas audiências sem abandonar a sua própria trajectória emotiva.

Fonte: entrevista exclusiva

Adidas Originals escolhe artista portuguesa para campanha global da Superstar e destaca nova estratégia das marcas

A lookup da adidas em talentos locais sublinha a procura de identidade e cultura nas campanhas, ultrapassando a simples divulgação de produtos.

A cantora e compositora portuguesa, reconhecida pela fusão entre o fado tradicional e a sonoridade electrónica, foi seleccionada pela Adidas Originals para integrar a campanha global da linha Superstar em Portugal. O convite, feito em agosto de 2024, converte‑se num marco que evidencia o redireccionamento das grandes marcas internacionais, que passam a hierarquizar a narrativa cultural e a autenticidade sobre meros números de vendas. Nesta entrevista, a artista revela a importância desta colaboração para a sua trajectória e para a projeção da cultura portuguesa no contexto global.

Identidade sobre performance comercial
A artista explica que a escolha da Adidas reflete uma mudança de foco das marcas: “Já não procuramos apenas cifras, procuramos identidade”. O movimento da adidas inteirá a campanha com uma narrativa que dialoga com os pilares estratégicos da empresa — audácia e coragem na ocupação de novos espaços — e, simultaneamente, aguça a visibilidade do fado enquanto linguagem musical trans‑n​​acional.

Fado e tecnologia como eixos de inovação
Ao ser questionada sobre a sua utilização da linguagem “Fado” independentemente da instrumentação, a artista afirma: “Somono fado, porque a minha voz traduz o fado, quer sejam sintetizadores ou um trio tradicional”. Esta mescla de tradição e inteligência artificial, que dinamiza o panorama cultural, mostra-se crucial num mundo cada vez mais “plastificado”, segundo a artista, e reforça a posição da Angola como ponto de interseção entre a criatividade global e o patróniuo cultural.

Cultura como ferramenta de branding nacional
A entrevistada sublinha que a cultura representa a forma “mais nobre de projetar a imagem de um país”. Ao mencionar parallelos com celebridades como Samuel L. Jackson, Kendall Jenner ou Lamine Yamal, destaca ainda a necessidade de alinhamento estratégico entre a sua marca pessoal e a da adidas, definindo a parceria como um verdadeiro “match”.

Transição de intérprete para marca cultural
Ao discutir a evolução da sua carreira, a artista explica que a capa do seu álbum já a apresenta como um “produto”. Desenvolveu um documentário que desvenda a estratégia de lançamento da sua marca cultural, englobando composição, produção musical, exibição visual e gestão de redes sociais. Na “embalagem” do produto, coloca a expressão “made in future Portugal / fabricada para desafiar o presente”, quantificando a sua metodologia criativa em: 30 % liberdade, 25 % fúria criativa, 20 % intuição sofisticada, 15 % persistência e 10 % teimosia.

Visão de longo prazo vs. viralidade
Na campanha Superstar, que celebra a ideia de ícone intemporal e autenticidade, a artista argui que “não me interessa ser um momento viral”. Organizou o lançamento do single “Espiral” ao longo de três anos, com cinco singles estratégicos — entre eles, um de platina, um de ouro, um tema cinematográfico e outro numa novela — demonstrando uma estratégia planejada de sustentabilidade de carreira.

Esta parceria sublinha a crescente procura das marcas internacionais por creativos que articulassem tradição e inovação, inserindo a cultura portuguesa como bono distintivo numa campanha globaĺ. A sucessiva associação entre a música, a moda e o branding cultural poderá servir de modelo para futuros investimentos no enriquecimento da identidade nacional.

Fonte: entrevista concedida à Órbita 24H

Artista angolanailibria tradição e modernidade para criar novo território cultural
Entrevista revela estratégia de transformar notoriedade em legado, com foco no equilíbrio entre exposição, consistência artística e pressão externa

A artista, cuja carreira se apoia em tradição e modernidade, procura criar um espaço inovador que transcenda a rapidez comercial. Prioriza a intemporalidade e autenticidade, entendendo o processo como gradual e sem pressa.

Equilíbrio entre exposição e pressão
A resposta centra‑se no autoconhecimento como ferramenta decisiva. A “procura diária de consciência” permite-lhe lidar com o peso de ser simultaneamente criadora e gestora da própria carreira, oferecendo-lhe um mecanismo de estabilidade. Em momentos de intensificação de pressão, recorre a atividades manuais e criativas – como pintar paredes ou renovar espaços – para restabelecer a conexão imediata com a sua essência.

Estratégia de notoriedade para posicionamento sólido
A artista defende a continuidade como princípio básico. A notoriedade, isolada, temve curto prazo; precisa de direção para se converter em legado duradouro. O álbum Espiral, resultado de três anos de construção, ensaiou essa abordagem: cada single visou afirmar a sua voz, consolidar a imagem, gerar valor artístico e reforçar a proximidade com o público. O objetivo agora é que, dentro e fora de Portugal, seja reconhecida como uma figura com visão internacional, mas profundamente ligada à cultura portuguesa, apostando na permanência e não apenas na presença.

Perspetiva futura e legado
A artista deseja ser lembrada como quem marcou o panorama global, seja como voz do Fado, artista sem rótulos ou ponte entre tradição e futuro. O seu percurso pretende evidenciar intenção, risco e construção estratégica, aludiendo a uma expansão deliberada do Fado – não à sua preservação, mas à sua evolução para novos territórios.

Fonte: Matéria fornecida.

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