O ministro dos Transportes, Ricardo Viegas de Abreu, evitou explicar a paralisação dos voos mediante falta de divisas e vinculou‑a à guerra no Médio Oriente, que eleva o preço do petróleo e encarece o combustível de aviação.
O ministro dos Transportes, Ricardo Viegas de Abreu, afastou interpretações que atribuíam a suspensão da rota Ankara‑Istambul‑Luanda da Turkish Airlines à escassez de divisas. Inseriu, em alternativa, a medida no atual quadro geopolítico, marcado pelo conflito no Médio Oriente, que tem pressionado os preços energéticos a nível mundial.
> Instabilidade geopolítica – O ministro destacou que a tensão em torno do Estreito de Ormuz, principal rota de transporte de petróleo, tem impulsionado uma escalada nos custos energéticos, repercutindo directamente na aviação civil.
> Declaração oficial – “Estamos a viver uma situação muito dramática a nível mundial. O fundamento da Turkish Airlines está relacionado exactamente com isso. Não estamos a falar de falta de divisas, estamos a falar do enquadramento geopolítico”, sublinhou Ricardo Viegas de Abreu.
A Turkish Airlines comunicou a suspensão permanente dos seus voos a Luanda, com o último serviço marcado para 1 de maio de 2026. A decisão integra um plano de reestruturação que prevê o encerramento de ligações directas a 18 destinos, justificado pelo aumento dos custos operacionais, sobretudo do combustível Jet A1, e pela baixa procura em várias rotas.
> Aumento do combustível – Em Angola, o preço do combustível de aviação subiu de Kz 482 para Kz 976 por litro, representando um incremento de 102 %. Esta subida duplica o custo por litro, tensionando as companhias aéreas que operam no país e comprometendo a conectividade internacional.
> Impacto no sector – A catástrofe geopolítica tem reverberado nas cadeias de abastecimento energético, militando para que várias empresas revejam rotas, frequências e estratégias operacionais. Especialistas alertam para a possibilidade de novas suspensões caso a instabilidade persista, pressões que elevariam ainda mais as tarifas aéreas e afetariam passageiros e operadores num mercado já vulnerável a choques sucessivos.
