Exposição na Gulbenkian reúne quase 300 peças da “Liga dos Campeões” de Arte & Moda

Exposição na Gulbenkian reúne quase 300 peças da “Liga dos Campeões” de Arte & Moda Exposição na Gulbenkian reúne quase 300 peças da “Liga dos Campeões” de Arte & Moda

Quase 300 peças da “Liga dos Campeões da Arte e da Moda” abrem a nova exposición do Museu Gulbenkian
‘Arte & Moda’, com obras de Rubens a Guo Pei, fica exibida até 21 de junho e celebra 70.º aniversário da Fundação.

O Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa, recebeu hoje a exposição temporária “Arte & Moda”, que reúne 270 obras que vão do Antigo Egipto ao século XX, passando por pinturas, gravuras, porcelanas, tapeçarias e vestuário. A mostra inclui criações de Rubens, Rembrandt, Givenchy e Guo Pei, juntando peças da Coleção Gulbenkian a bens de colecionadores privados e de instituições como o MUDE, o Museu do Traje de Madrid, os arquivos da Givenchy, a Fundação Azzedine Alaïa e a Maison Guo Pei, que cedeu seis artigos diretamente da China, alguns apresentados à Europa pela primeira vez.

Curadoria e espetáculo de alta costura
Eloy Martínez de la Pera Celada, comissário da exposição, destacou a possibilidade única de trabalhar com a “Liga dos Campeões da Arte e da Moda”. O maior retoque consistiu em localizar 140 peças de alta costura que sustentassem a narrativa desejada, exigindo que – segundo o curador espanhol – as obras de moda “reolinhas em nível das pinturas, possam dialogar com Rubens, Carpaccio ou até mesmo com uma das máscaras egípcias de ouro mais impressionantes”.

Horário de visitação
A exposição permanecerá aberta ao público até 21 de junho, com funcionamento de segunda a sexta, das 10 h às 18 h, e nos fins de semana, das 10 h às 21 h. O museu encerrará as suas portas à terça‑feira.

Homenagem ao fundador e ao futuro do museu
Ao inaugurar a exposição, o antigo diretor António Filipe Pimentel sublinhou que Calouste Gulbenkian “não era apenas um colecionador, mas um amante da beleza”, e explicou que “‘Arte & Moda’ faz a ponte entre o museu fechado e a nova ala que abre”. A salonette temporária situa‑se na Galeria Principal, enquanto a zona permanente do museu está a ser requalificada, prevista para reabrir em julho, quando a fundação completará 70 anos, em 18 de julho de 1956.

Primeiro destaque: Guo Pei e a máscara funerária
A visita inicia‑se com um vestido de alta costura da designer chinesa Guo Pei, criado em 2006 em linho, seda, ouro, prata, lantejoulas, cobre, cristais e strass, exibido sobre um manequim que traz na cabeça uma máscara funerária egípcia datada de 300 a.C. Esse contraste inaugura a cadeia de “diálogos estéticos, conceptuais, emocionais e, por vezes, sociais” que percorrerá a mostra.

Tributo a Calouste e Nevarte Essayan
Martínez de la Pera Celada esclareceu que a exposição pretende homenagear Calouste Gulbenkian e a sua esposa Nevarte Essayan, apaixonados verdadeiros por moda, que colecionavam livros e revistas sobre o tema e mantinham peças no seu lar. Algumas das peças exibidas foram, inclusive, pertencentes à própria Nevarte Essayan, reforçando o caráter íntimo e autêntico da coleção.

Moda e história caminham juntas na exposição “Arte & Moda”
Com peças de criadores consagrados e de design português, a mostra revela a alta costura ao longo dos séculos

A exposição “Arte & Moda”, apresentando obras de Alexander McQueen, Gianni Versace, Christian Dior e designers portugueses como Miguel Vieira, reintegra a alta costura na história da humanidade, desde os sarcófagos egípcios até a pintura renascentista. O curador argumenta que a moda sempre esteve presente nas civilizações e que, longe de ser uma expressão exclusivamente feminina, tem sido instrumento de revoluções sociais e de experimentação masculina.

A alta costura ao longo da história
Do vestuário dos faraós egípcios, passando pelos desenhos nas cerâmicas gregas, até aos retratos expostos na National Gallery de Londres e no Museu do Prado, a curadoria demonstra que a moda era já “alta costura”. “Os desenhos que vemos nos sarcófagos eram Alta Costura; nas gravuras gregas as deusas usavam Alta Costura; no Quattrocento italiano era Alta Costura”, sublinha o curador.

Rupturas de género e de género na roupa
Eloy Martínez de la Pera Celada destaca que a ideia de “roupa sem gênero” não é nova. “O homem tem usado saias desde o início dos séculos; não somos modernos ao falar de homens de saias”, assevera. A exposição mostra ainda que, há 300 anos, homens já vazavam com saltos altos e collants, assumindo papéis vanguardistas.

Moda como poder femenino
No primeiro décimo do século XX, a moda tornou‑se ferramenta de empoderamento feminino, substituindo o corset do século XIX. A curadoria enfatiza o papel da roupa na libertação da mulher e na consolidação da sua presença pública, afirmando que “a pintura deve à Moda a inspiração, mas a Moda deve à Pintura a permanência no tempo”.

Objetos, cores e narrativas
A mostra organiza‑se em núcleos temáticos – azul e branco das porcelanas, cerâmica islâmica, dragões e fénix, design de tapeçarias, filigranas, influências japonesas e símbolos românticos – que dialogam as peças de arte com o vestuário. O recinto, totalmente revestido a negro, acentua o contraste entre quadros como “O espelho de Vénus”, de Sir Edward Burne‑Jones, e dez manequins que exibem vestidos plurais dos “melhores plissados do século XX”.

Implicações para o sector criativo
Ao integrar moda e arte num cenário histórico, a exposição reforça a importância do património cultural como pilar de atração turística e de investimento no sector criativo nacional. A diversidade de designers, nacionais e internacionais, evidencia o potencial de Angola para atuar como hub de intercâmbio artístico e de moda, atraindo compradores, curadores e investidores interessados em novas narrativas de design.

Mostra “Arte & Moda” exibe peças de ícones e criadores portugueses até 21 de junho
Exposição reúne obras de Alexander McQueen, Gianni Versace, Christian Dior e designers portugueses como Miguel Vieira, seguros durante toda a semana.

A mostragemprecticada pelo Museu Calouste Gulbenkian apresenta, até 21 de junho, uma seleção de peças de alta costura de nomes consagrados – Alexander McQueen, Gianni Versace, Thierry Muger, Vivienne Westwood, Christian Dior, Azzedine Alaïa, Yohji Yamamoto, Hubert de Givenchy, Cristóbal Balenciaga e Issey Miake – e de criadores portugueses, entre eles Miguel Vieira, Maria Gambina, José António Tenente, além das duplas Storytailors e Alves/Gonçalves. O horário de visitação será de segunda a sexta, das 10 h às 18 h, e aos fins de semana, das 10 h às 21 h; o museu encerrará as atividades na terça‑feira.

Diversidade de galvanavras
A curadoria aposta numa comparação entre as tendências internacionais e a identidade criativa nacional, permitindo ao público observar como o design português dialoga com estilos estabelecidos há décadas.

Impacto no sector cultural
Ao ampliar o acesso a obras de referência e promover designers emergentes, a mostra reforça a imagem de Angola como ponto de intersecção entre arte e moda, potenciando a parceria entre instituições culturais angolanas e a indústria de luxo.

Perspetivas futuras
Com o término da exposição marcado para 21 de junho, espera‑se que a iniciativa encoraje programas semelhantes, ampliando a oferta cultural e incentivando a colaboração entre criadores angolanos e internacionais.

Fonte: publicação do Museu Calouste Gulbenkian

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