O Museu do Tesouro Real, em Lisboa, prepara-se para receber alguns dos maiores especialistas mundiais em joalharia régia, história e conservação patrimonial. Nos dias 13 e 14 de novembro, o espaço acolhe a segunda edição do Treasures International Colloquium, um encontro bienal dedicado, este ano, a um dos mais emblemáticos símbolos da realeza: as coroas e as tiaras.
O colóquio reunirá curadores, historiadores, gemólogos, conservadores e outros especialistas provenientes de algumas das mais prestigiadas instituições museológicas internacionais. Entre os participantes confirmados encontram-se Linda Borsch e Matthew Cumbie, curadores do Metropolitan Museum of Art (The Met), em Nova Iorque; Maurício Júnior, diretor do Museu Imperial, no Rio de Janeiro; e Ellen van Bork e Suzanne van Leeuwen, curadoras do Rijksmuseum, em Amesterdão. Ao longo de dois dias, as sessões irão explorar a evolução histórica destes símbolos da monarquia, os desafios da sua conservação e o papel das pedras preciosas que lhes conferem singularidade.
Entre os convidados destaca-se também Odile Emmanuelli, diretora do Salão de Paris da Albion Art Collection. Fundada por Kazumi Arikawa, considerado um dos maiores colecionadores mundiais de joalharia histórica, esta coleção privada chegou a reunir cerca de 150 tiaras de grande relevância histórica, apontadas como o maior conjunto privado deste género. Enquanto Emmanuelli marcará presença em Lisboa, Arikawa participará remotamente.
O programa contará ainda com a participação de Maria Francisca de Bragança, Duquesa de Coimbra, e de Bénédicte Epinay, diretora executiva do Comité Colbert e representante da European Cultural and Creative Industries Alliance (ECCIA), organização que reúne sete associações europeias das indústrias culturais e do luxo.
A diversidade de perfis presentes faz do encontro um caso raro. São poucos os eventos internacionais capazes de reunir, no mesmo espaço, curadores, conservadores, historiadores, gemólogos, avaliadores, leiloeiros e outros especialistas cujo trabalho se centra no património joalheiro das casas reais.
Um concerto de orquestra no Palácio Nacional da Ajuda integrou as atividades culturais do «Colóquio Internacional Treasures» de 2024.
O colóquio foi criado pelo gemólogo e formador Rui Galopim de Carvalho, em conjunto com José Alberto Ribeiro, diretor do Palácio Nacional da Ajuda, e Nuno Vale, diretor executivo do Museu do Tesouro Real.
Local escolhido é uma das principais atrações
O local escolhido para receber o encontro é, por si só, uma das suas principais atrações. Instalado na ala poente do Palácio Nacional da Ajuda, antiga residência da última família real portuguesa, o Museu do Tesouro Real encontra-se no interior do que é considerado o maior cofre museológico do mundo, com cerca de 40 metros de comprimento e 10 metros de altura. No seu interior estão preservados mais de mil objetos históricos, ornamentados com mais de 22 mil pedras preciosas, enquanto as sessões do colóquio decorrerão imediatamente no exterior deste espaço, permitindo aos participantes visitar a coleção durante o evento.
Segundo Rui Galopim de Carvalho, um dos principais objetivos da iniciativa passa por reforçar a projeção internacional do Museu do Tesouro Real, inaugurado em 2023, ao mesmo tempo que promove o património histórico e cultural português.
O Museu do Tesouro Real, situado no interior de um dos maiores cofres do mundo, acolherá o «Colóquio Internacional sobre Tesouros». © Marta Maria Ferreira / Luís Ferreira Alves
“Partindo da coleção deste novo museu — extraordinariamente rica do ponto de vista artístico, histórico, joalheiro, artesanal, gemológico e cultural — quisemos explorá-la em conjunto com outras grandes coleções e especialistas internacionais, oferecendo uma visão mais aprofundada e um enquadramento global tanto das nossas coleções régias como da cultura e do património portugueses”, afirma Rui Galopim de Carvalho.
Para o responsável, o valor da coleção portuguesa ultrapassa largamente a história nacional. “Na realidade, a nossa coleção não conta apenas a história de Portugal; conta também a história da Europa e de outras partes do mundo. A troca de conhecimento com especialistas de diferentes países e coleções permite compreender de forma mais profunda a relevância deste património.”
Além das conferências, o programa inclui visitas guiadas ao Museu do Tesouro Real, percursos por outros museus lisboetas, excursões fora da capital e demonstrações de gastronomia tradicional portuguesa. À semelhança da edição inaugural, realizada em 2024, o encontro terminará com um jantar de gala acompanhado por música ao vivo. A primeira edição reuniu mais de uma centena de participantes e incluiu um concerto de orquestra no Palácio Nacional da Ajuda.
Mais de 100 especialistas participaram no «Coloquio Internacional Treasures» de 2024, em Lisboa. Foto: Starsonline/Forbes
O sucesso da estreia levou a organização a definir um tema mais específico para esta segunda edição. Se o primeiro colóquio abordou, de forma abrangente, as joias e as gemas da realeza, este ano a escolha recaiu sobre coroas e tiaras.
“A escolha deve-se ao seu profundo simbolismo enquanto insígnias da realeza, mas também ao facto de este ano se assinalarem os 200 anos da Coroa do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, criada em 1818 para a aclamação de D. João VI”, explica Rui Galopim de Carvalho.
Jeffrey Post, curador emérito do Museu Nacional de História Natural do Smithsonian, a discursar no «Coloquio Internacional Treasures» de 2024. Foto: Starsonline/Forbes
A participação de Maria Francisca de Bragança assume igualmente um significado especial. No dia do seu casamento, a Duquesa de Coimbra usou uma histórica tiara de diamantes criada pelos joalheiros da Casa Real, Leitão & Irmão, para a rainha D. Amélia de Orleães e Bragança, última rainha de Portugal. A peça, oferecida pela sua mãe, a anterior Duquesa de Bragança, será um dos objetos em destaque nas apresentações do colóquio, reforçando a ligação entre o património histórico português e o debate internacional que marcará esta edição do Treasures International Colloquium.
Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.
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