O diretor do FBI, Kash Patel, ingressou com uma ação judicial por difamação contra a revista The Atlantic e a sua reportagem Sarah Fitzpatrick, depois de a publicação de sexta‑feira, 17, sugerir que o dirigente teria um problema de álcool que poderia comprometer a segurança nacional.
A matéria, originalmente intitulada “Comportamento errático de Kash Patel pode custar seu emprego”, citou mais de duas dúzias de fontes anónimas que alertaram para a “embriaguez evidente e as ausências inexplicáveis” de Patel, afirmando que estas “alarmaram as autoridades do FBI e do Departamento de Justiça”.
Posteriormente, a versão online da The Atlantic passou a chamar‑se “O Diretor do FBI está desaparecido”, descrevendo que, durante a gestão de Patel, o FBI precisou remarcar reuniões “como resultado das suas noites regadas a álcool” e que o diretor “está frequentemente ausente ou inacessível, atrasando decisões urgentes necessárias ao avanço das investigações”.
Na mesma matéria, a Casa Branca, o Departamento de Justiça e Patel refutaram as acusações. Foi incluída uma declaração presumida do FBI, atribuída a Patel: “Imprima, tudo falso, eu o verei no tribunal – traga o seu talão de cheques”. Patel afirmou à Reuters que a história da The Atlantic “é uma mentira” e que “receberam a verdade antes de a publicar e, mesmo assim, optaram por difundir falsidades”.
A The Atlantic declarou que “mantém a reportagem sobre Kash Patel e defenderá vigorosamente a revista e os seus jornalistas” contra o processo que, segundo a editora, “não tem mérito”.
A Reuters não verificou independentemente a exatidão da matéria nem o motivo da mudança de título.
A queixa alega que, embora a The Atlantic desfrute da liberdade de criticar a direção do FBI, “cruzou a linha legal” ao publicar uma reportagem “repleta de alegações falsas e evidentemente fabricadas, destinadas a destruir a reputação de Patel e expulsá‑lo do cargo”. O processo, apresentado no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito de Columbia, réclama US$ 250 milhões em indemnizações.
Segundo o documento judicial, a The Atlantic ignorou os esclarecimentos do FBI e não respondeu a uma carta enviada na sexta‑feira, pelas 16h, pelo advogado de Patel, Jesse Binnall, dirigida aos editores séniores e ao departamento jurídico da revista, solicitando mais tempo para refutar as 19 acusações de que a repórter advertiu a assessoria de imprensa do FBI que iria publicar. A carta foi enviada pouco antes das 16h e a matéria foi publicada às 18h20, de acordo com a denúncia; a Reuters não conseguiu confirmar se a The Atlantic respondeu ao pedido de Binnall.
O processo sustenta que a publicação agiu com “malícia real”, padrão legal que requer que figuras públicas como Patel demonstrem que a editora conscientemente difundiu informações falsas ou ignorou de forma imprudente dúvidas quanto à sua veracidade.
“A decisão consciente dos réus de ignorar as refutações detalhadas, específicas e substanciais da carta de pré‑publicação, bem como a recusa em conceder um prazo razoável para que o FBI e o diretor Patel respondessem, constitui uma das provas mais fortes de malícia real”, conclui a ação.
