Falta de transparência alimenta rumores sobre saúde de Donald Trump

Falta de transparência alimenta rumores sobre saúde de Donald Trump Falta de transparência alimenta rumores sobre saúde de Donald Trump

Uma onda de especulações dominou as redes sociais no fim de semana do Dia do Trabalho americano a partir da sexta-feira (29). A hashtag #trumpisdead (Trump está morto) disparou em plataformas como X, quando o presidente showman passou três dias seguidos longe das câmeras. No mesmo período, o vice J. D. Vance declarou espantosamente a uma jornalista que estava pronto para assumir o poder —”se, Deus me livre, houver uma tragédia terrível.”

Quando Donald Trump reapareceu, de saída para o clube de golfe, no sábado de manhã, não acalmou a febre conspiratória. A foto, capturada à distância, inspirou rumores sobre inchaço nos olhos e no rosto. Também não ajudou a série de postagens presidenciais frenéticas na rede Truth Social que terminou com a mensagem: “Nunca me senti melhor na minha vida”, em maiúsculas, no domingo. Trump tem 79 anos e uma aversão furiosa a revelações sobre a própria saúde.

No final de 2015, já candidato, ele ditou ao seu intimidado clínico geral Harold Bornstein um atestado de saúde com floreios absurdos como: se for eleito, será, “sem sombra de dúvidas, o sujeito mais saudável” a ocupar a Presidência dos Estados Unidos. O mesmo Bornstein revelou que, dias antes da primeira posse de Trump, em 2017, o guarda-costas do republicano, Keith Schiller, invadiu seu consultório e retirou à força todo o arquivo médico de Trump.

Esta falta de transparência é o combustível ideal para rumores no ambiente digital de notícias distorcidas por algoritmos. No começo do ano, a mancha roxa na mão direita do presidente, mal ocultada com maquiagem, foi explicada comicamente como resultado do excesso de apertos de mão. A mancha tem aparecido mais evidente e, no mês passado, outra foi vista na mão esquerda de Trump —que não é canhoto. Não vou perder tempo especulando porque qualquer um pode pesquisar os motivos comuns para manchas roxas nas mãos. Seja qual for a explicação real, não é boa notícia.

Numa entrevista coletiva na terça-feira (2), um repórter perguntou ao presidente se ele tinha acompanhado os rumores de sua suposta morte. Ele negou, em seguida se contradisse e voltou a usar um mote favorito: devem ter sido “geradas por inteligência artificial.” O que ele não pode esconder é o forte inchaço nos tornozelos, que afinal foi explicado laconicamente por seu médico como causado por “insuficiência venosa crônica”. Também não é boa notícia, seja qual for o quadro clínico real.

A escassez de franqueza tem provocado comparações com a kreminologia praticada na União Soviética, especialmente na era deliciosamente satirizada no filme “A Morte de Stálin”, de Armando Iannucci, o criador da série “Veep.”

Na anedota atribuída a um espião ocidental estacionado em Moscou, ele observava diariamente um cidadão russo comprar um jornal impresso e jogar o exemplar na lixeira, mal passando os olhos na primeira página. O espião perguntou se ele nunca achava nada importante para ler, e o homem retrucou: “Eu só compro o jornal para saber o que não está na capa,” ou seja, o anúncio da morte do longamente enfermo premiê Yuri Andropov.

Mas esta kreminologia diante de manobras de desvio de informação oficial não seria possível sem a cumplicidade da acanhada imprensa dos EUA, que não informou o público dos sinais de mal de Alzheimer de Ronald Reagan nem do declínio da saúde de Joe Biden.

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