Angola procura empresa australiana para gerir 200 mil TEU no terminal do Caio em Cabinda

Angola procura empresa australiana para gerir 200 mil TEU no terminal do Caio em Cabinda Angola procura empresa australiana para gerir 200 mil TEU no terminal do Caio em Cabinda

Angola abre concurso internacional para a concessão de 20 anos do Terminal de Águas Profundas do Caio, com prazo de apresentação de propostas até 27 de julho de 2026.

O governo angolano busca que empresas australianas concorram na gestão do Terminal de Águas Profundas do Caio, em Cabinda, um porto com capacidade para 200 mil TEU anuais e volume de 2,1 milhões de toneladas, estrategicamente posicionado no Atlântico para atender a República Democrática do Congo e o Congo. O prazo de submissão encerra-se a 15h00 do dia 27 de julho de 2026, com anúncio do gestor previsto para agosto.

Mecanismo de convite e background
A embaixada de Angola em Melbourne confrontou a comunidade empresarial australiana com uma proposta direta, inserida na campanha de atração de investimento internacional lançada a 9 de abril. O embaixador António Luvualu de Carvalho reuniu‑se com executivos do Grupo BEACON e da Câmara de Comércio Austrália‑África (AACC), apresentando a documentação do concurso e destacando as vantagens de um investimento australiano numa infraestrutura que Angola pretende converter num hub logístico regional.

Características técnicas do terminal
Localizado a oito quilómetros da cidade de Cabinda, o terminal aceita navios de grande porte, inclusive embarcações de até cinco mil TEU. Na fase inicial, o projecto inclui 32 hectares de área operacional, 700 metros de cais comercial, canal de acesso com 180 metros de largura e 15,5 metros de profundidade, e uma ponte de acesso de cerca de dois quilómetros. A capacidade prevista cobre 200 mil TEU por ano, mais 2,1 milhões de toneladas de carga.

Condições da concessão
O contrato previste uma vigência de 20 anos. As propostas devem ser entregues até 27 de julho de 2026, acompanhadas de taxa não reembolsável de Kz 18 mil milhões (ou equivalente em dólares) e caução de 5 % das rendas fixas do contrato. A adjudicação basear‑se‑á na proposta com maior vantagem económica, considerando o valor da concessão e a qualidade dos planos operacionais e de desenvolvimento.

Dimensão económica e zona franca
O projecto prevê ainda a criação de uma Zona Franca do Caio, orientada a estimular o desenvolvimento económico local e atrair investimentos estruturantes. O terminal será conectado à Estrada Nacional 100 e ao futuro Aeroporto Internacional de Cabinda, em construção, reforçando a sua capacidade de servir como centro de transbordo regional.

Relações com a Austrália e interesse setorial
A escolha da Austrália reflete a procura por parceiros com experiência em mineração e recursos naturais, segmentos onde o Grupo BEACON dispõe de rede global (Hong Kong, Londres, Riade, Melbourne, América do Norte e Europa). A Câmara de Comércio Austrália‑África, com mais de dois mil associados, atua nos sectores de mineração, energia, agronegócio e tecnologia verde, oferecendo um canal sólido para divulgar o concurso e atrair investidores.

Implicações para a economia angolana
A concessão do terminal pode fortalecer a cadeia logística de Angola, reduzir dependência de portos externos e posicionar o país como ponto de retransmissão de mercadorias para mercados da África Central. Para investidores, a proposta apresenta oportunidade de participação num activo de alta capacidade, com garantia de rendas estáveis ao longo de duas décadas.

Fonte: comunicado oficial da Embaixada de Angola em Melbourne

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