Banco Mundial revê para baixo a projeção de crescimento de Angola a 2,4% em 2026; FMI mantém cenário moderado para a região

Banco Mundial revê para baixo a projeção de crescimento de Angola a 2,4% em 2026; FMI mantém cenário moderado para a região Banco Mundial revê para baixo a projeção de crescimento de Angola a 2,4% em 2026; FMI mantém cenário moderado para a região

O Banco Mundial reduziu para 2,4 % a previsão de crescimento do PIB de Angola em 2026, regressando à avaliação de choques externos prolongados e de vulnerabilidades do sector petrolífero; o FMI continua a prever um ritmo moderado sem aceleração significativa.

A economia angolana deverá registar um aumento de 2,4 % no Produto Interno Bruto em 2026, de acordo com o último relatório do Banco Mundial, uma revisão negativa que enfatiza o impacto prolongado de choques externos e a fragilidade do sector petrolífero. As projeções contrastam marginalmente com as estimativas mais recentes do Fundo Monetário Internacional, que mantém um quadro estável para a África subsaariana, mas também sem indícios de aceleração relevante para Angola.

Relatório Africa Economic Update
Publicado em Washington durante as sessões de primavera do Banco Mundial e do FMI, o documento destaca que Angola ainda sente as consequências de uma década de choques sucessivos, com o PIB per capita em 2026 a situar‑se mais de 25 % abaixo dos níveis de 2014. O Banco Mundial projeta que o crescimento permanecerá abaixo dos 3 % até 2027, enquanto o FMI aponta para um ritmo moderado, ainda dependente da evolução dos preços do petróleo e da vulnerabilidade a flutuações nos mercados energéticos.

Impacto dos preços do crude
Apesar da subida do preço do crude, que ultrapassou os 110 dólares por barril em março devido ao conflito no Médio Oriente, o efeito positivo é limitado pela forte dependência de importações de combustíveis refinados, nomeadamente gasolina e gasóleo. Esta dinâmica tem restringido a transmissão total dos ganhos do mercado de petróleo para a economia interna.

Desempenho do sector petrolífero
O sector petrolífero registou uma contração de 1,21 % em 2025, consequência da macro‑queda nos campos maduros e de interrupções na produção. O Banco Mundial avalia que a recuperação prevista para 2026 será insuficiente para alterar substancialmente o ritmo global de crescimento económico do país.

Situação fiscal
O relatório sublinha a melhoria das contas públicas, com a dívida pública a descender de 59,3 % do PIB em 2024 para 52,3 % em 2025. O FMI também reconhece a consolidação orçamental, mas alerta para o elevado encargo do serviço da dívida externa, que pressiona as finanças do Estado.

Investimento e produtividade
O investimento per capita continua a ficar abaixo dos níveis de 2014, refletindo uma queda acentuada no investimento público e restrições persistentes ao investimento privado. Ambas as instituições alegam que a fraca evolução da produtividade, asociada a défices de qualificação e de capital humano, impede a diversificação da economia.

Aposta estratégica no Corredor do Lobito
O Banco Mundial destaca o Corredor do Lobito – uma ferrovia de 1 344 quilómetros que liga o porto de Lobito à Zâmbia e à República Democrática do Congo – como possível motor de industrialização regional, alinhado com as iniciativas de integração económicas apoiadas igualmente pelo FMI.

Perspetivas para a África subsaariana
Para a região, as duas instituições convergem numa projeção de crescimento em torno dos 4 % em 2026, mas advertem sobre riscos crescentes ligados ao conflito no Médio Oriente, ao elevado endividamento e às fragilidades estruturais ainda presentes.

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