Papa Leão XIV declara que violência e opressão afrontam princípios cristãos

Papa Leão XIV declara que violência e opressão afrontam princípios cristãos Papa Leão XIV declara que violência e opressão afrontam princípios cristãos

Durante a visita a Angola, o pontífice castigou a exploração de povos por regimes autoritários e elites económicas, recordando que tais práticas vanjam ao cristianismo.

Discurso em Saurimo
Numa missa celebrada em Saurimo, próximo da fronteira com a República Democrática do Congo, Leão XIV afirmou que “muitas pessoas no mundo estão a ser exploradas por autoritários e defraudadas pelos ricos”, sublinhando que a violência e a opressão contradizem os princípios fundamentais do cristianismo. Argumentou ainda que “todas as formas de opressão, violência, exploração e desonestidade negam a ressurreição de Cristo”.

Itinerário africano
Angola representou a terceira etapa de uma viagem de dez dias pelo continente, que abrangeu quatro países, onze cidades, cerca de 18 mil quilómetros percorridos e 18 voos – uma das deslocações mais complexas já realizadas por um Papa. A visita tem reforçado o posicionamento de Leão XIV, eleito em maio de 2023, contra guerras, desigualdades e a exploração dos recursos naturais.

Críticas a líderes e potências
Sem citar nomes específicos, o pontífice tem recurido a termos como “déspotas e tiranos” para denunciar a apropriação de recursos africanos, indicativo da sua estratégia de confrontar regimes autoritários. No domingo esclareceu que os discursos foram preparados semanas antes da viagem e não tinham como alvo direto o ex‑presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda que já tenha criticado publicamente intervenções militares de EUA e Israel no Irão.

Receção popular
A reação em Angola foi entusiástica: cerca de 80 % da população declara-se cristã, metade destas identificando‑se como católicos. Milhares foram às ruas para saudar o Papa e, no domingo, duas celebrações – missa campal e oração num antigo pertencente ao tráfico transatlântico de escravos – juntaram aproximadamente 130 mil fiéis.

Próxima fase na Guiné Equatorial
Na segunda‑feira, último dia completo em Angola, o pontífice encerrou a etapa local. Na manhã da terça‑feira desloca‑se para a Guiné Equatorial, onde deverá encontrar‑se com o Presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo e discursar perante líderes políticos. O país é frequentemente apontado como um dos mais repressivos da região, acusações que o governo guineense nega.*

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