A Unitel vai aumentar o seu capital social de Kz 140 milhões para Kz 250 mil milhões, através da incorporação de reservas livres acumuladas, numa operação que a administração considera decisiva para o sucesso da Oferta Pública Inicial (IPO) prevista para 2026.
O reforço de capital visa alinhar os capitais próprios com a dimensão real da empresa, numa altura em que a maior operadora de telecomunicações de Angola se prepara para transitar de empresa de domínio público para sociedade cotada em bolsa. Segundo a gestão, o volume de reservas disponíveis permite robustecer o balanço sem qualquer impacto na liquidez da empresa.
Os resultados que sustentam a operação
A operação de capitalização é suportada por um desempenho financeiro sólido. Em 2025, a Unitel registou um lucro líquido de Kz 158,3 mil milhões — um crescimento de 60% face ao ano anterior —, assente em receitas operacionais superiores a Kz 505 mil milhões.
Em matéria de dividendos, os accionistas aprovaram a distribuição de 25% dos resultados líquidos de 2025, com o remanescente a ser retido para financiar investimentos e reforçar a posição financeira da empresa no contexto da entrada em bolsa.
O IPO: 15% do capital em bolsa até ao final do primeiro semestre
O processo de privatização, enquadrado no Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), prevê a colocação em bolsa de cerca de 15% do capital da Unitel até ao final do primeiro semestre de 2026. De acordo com a administração, o plano de marketing e a documentação necessária encontram-se já em fase avançada de preparação.
A concretizar-se, o IPO da Unitel será um dos mais expressivos da história do mercado de capitais angolano, representando um teste decisivo à capacidade da BODIVA de atrair investimento privado nacional e internacional num contexto de reformas económicas.
Constrangimentos regulatórios que podem limitar investidores estrangeiros
Apesar do optimismo da administração, persistem constrangimentos regulatórios que podem limitar a participação de investidores estrangeiros. A exigência de obtenção de número de identificação fiscal (NIF) angolano e de representação fiscal local constitui, segundo analistas, um entrave à entrada de capital internacional e à desejada dispersão accionista — dois factores críticos para o sucesso de qualquer IPO.
De líder de mercado a candidata à bolsa
Fundada em 2001, a Unitel afirmou-se como a maior operadora de telecomunicações de Angola, liderando o mercado móvel e expandindo progressivamente a sua oferta para serviços de dados e soluções digitais. Ao longo de mais de duas décadas, a empresa desempenhou um papel central na massificação das telecomunicações no país.
A estrutura accionista sofreu alterações significativas nos últimos anos, no âmbito do processo de reconfiguração do sector empresarial público e de recuperação de activos do Estado angolano. Este percurso culmina agora com a preparação da entrada em bolsa, considerada um dos passos mais relevantes na abertura do capital de grandes empresas nacionais ao mercado.
