Ministros peruanos denunciam presidente por suposta falsificação de contrato de caças F‑16 de US$ 3,5 mil milhões

Ministros peruanos denunciam presidente por suposta falsificação de contrato de caças F‑16 de US$ 3,5 mil milhões Ministros peruanos denunciam presidente por suposta falsificação de contrato de caças F‑16 de US$ 3,5 mil milhões

Os ministros da Defesa e das Relações Exteriores do Peru entregaram as suas recusas, alegando que o presidente interino José María Balcázar teria enganado o país sobre a concretização de um acordo para a compra de 24 caças F‑16.

O contrato, avaliado em US$ 3,5 mil milhões, estava agendado para assinatura na sexta‑feira, mas Balcázar o anulou mesma hora, sustendo que o presidente eleito deveria decidir. Agora, duas altas autoridades afirmam que o acordo já fora firmado pelos militares na segunda‑feira.

Acusação de dolo
“Balcázar mentiu ao país; ele sabia que dois contratos foram assinados na segunda‑feira” declarou o chanceler demissionário Hugo de Zela à rádio RPP nesta quarta‑feira. As alegações aumentam a pressão sobre o interino de 83 anos, líder de um partido de extrema esquerda que tem mantido uma postura reticente perante a pressão de Washington e das Forças Armadas peruanas.

Motivações militares e geopolíticas
Para os militares, a nova frota representa não só um reforço ao poder de fogo, mas também uma possibilidade implícita de respaldo dos Estados Unidos. O presidente, que tomou posse em fevereiro, terá mandato somente até julho, data que coincide com o calendário eleitoral.

Razões da renúncia
“O tema de segurança nacional foi decidido de forma estratégica, e eu mantive divergências significativas” – afirmou o ministro da Defesa Carlos Díaz Dañino na sua carta de renúncia, referindo‑se diretamente ao acordo dos caças.

Procedimentos financeiros
Balcázar sustentou que a assinatura de qualquer contrato sem a sua aprovação seria irregular. O Ministério da Economia continua a gerir a libertação de fundos para a compra, explicou Luis Miguel Castilla, ex‑ministro da Economia e antigo embaixador nos EUA.

“No fim de contas, o presidente tem o poder político de autorizar ou não e de optar por não emitir um decreto que viabilize o pagamento”, reforçou Castilla em entrevista. Segundo De Zela, já venceu um pagamento inicial previsto no contrato.

Calendário eleitoral e posicionamentos
O Peru avança para as eleições gerais, com a conservadora Keiko Fujimori a ameaçar o segundo turno em junho contra o esquerdista Roberto Sánchez ou o ex‑prefeito de Lima Rafael López Aliaga. Enquanto Fujimori e López Aliaga defendem a assinatura do contrato com a Lockheed Martin, Sánchez questiona a prioridade de gasto de bilhões em defesa face a necessidades sociais.

Este impasse poderá determinar tanto a governação transição como a prestação de armas estratégicas num contexto de tensão geopolitica e dependência de apoio externo.

Fonte: Bloomberg L.P.

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