O Governo criará reservas estratégicas de bens essenciais, como alimentos, combustíveis e medicamentos, para amortecer os efeitos do conflito no Médio Oriente nas cadeias de abastecimento e nos preços internacionais, afirmou o ministro de Estado para a Coordenação Económica.
A decisão foi anunciada na primeira reunião extraordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministros, onde José de Lima Massano explicou aos média que serão constituídos stocks de segurança alimentar e energética, bem como reforçado o armazenamento de fármacos e equipamento hospitalar consumível, incluindo derivados do petróleo, como seringas e outros materiais plásticos.
Massano alertou para possíveis dificuldades logísticas: “Com a disrupção na cadeia logística, vamos ter acirrado acesso aos medicamentos”. Ele sublinhou ainda as restrições à circulação de embarcações, que já provocam alterações no transporte de produtos refinados e nas cadeias logísticas.
A preocupação também recai sobre os fertilizantes, cujo preço registou aumento superior a 50 %, com risco de escassez nos mercados internacionais, o que poderia comprometer os esforços de Angola para reforçar a segurança alimentar.
Segundo o ministro, a importação de mercadorias tornará o processo mais caro, pois os custos de transporte e seguros subiram drasticamente – alguns seguros ultrapassam um aumento de 200 % – e esses custos são retransmitidos nos preços finais.
A dificuldade não se limita aos alimentos, afetando igualmente equipamentos e matérias‑primas importadas. No campo da segurança energética, a subida do preço dos refinados, impulsionada pelo aumento do crude, preocupa, sobretudo porque algumas refinarias já condicionam a exportação de produtos refinados, constitundo mais um desafio para Angola, que ainda depende amplamente de importações de petróleo refinado.
Além disso, o Governo antecipará a compra de produtos químicos para tratamento da água de consumo humano e acelerará, dentro do Orçamento Geral do Estado para 2026, a aquisição de fertilizantes para a campanha agrícola 2026/2027, abrangendo sementes, adubos e outros insumos, a fim de reduzir a vulnerabilidade externa.
No segmento dos combustíveis, o plano prevé reservas equivalentes a, no mínimo, 90 dias de consumo, suficiente para a capacidade de armazenamento do Terminal Oceânico da Barra do Dande.
Massano reforçou o compromisso das autoridades angolanas de melhorar o ambiente de negócios e apontou que o actual cenário poderá gerar oportunidades, particularmente no sector do turismo. “Projetos indicam que o conflito no Médio Oriente poderia gerar um impacto negativo de cerca de 50 biliões de dólares em investimento e turismo. O que Angola desenvolve pode criar condições para captar parte desses recursos.”
