BPI vende participação de 33,35% no BFA ao Grupo Carrinho por pelo menos 388,5 milhões de euros

BPI vende participação de 33,35% no BFA ao Grupo Carrinho por pelo menos 388,5 milhões de euros BPI vende participação de 33,35% no BFA ao Grupo Carrinho por pelo menos 388,5 milhões de euros
Imagem gerada com IA por Órbita

O BPI chegou a acordo com a CFSA para a venda da totalidade da sua participação no Banco de Fomento Angola (BFA), correspondente a 5.002.500 acções e a 33,35% do capital do banco angolano. A operação foi comunicada esta quinta-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) pela instituição liderada por João Pedro Oliveira e Costa.

Segundo o comunicado, a CFSA está associada ao Grupo Carrinho, que já detinha uma posição no BFA através da sociedade Congolian Financial, com 7,61% do capital, de acordo com informação divulgada em Fevereiro.

Preço estruturado em três tranches

O valor acordado pela operação corresponde à soma de uma tranche fixa de 345 milhões de euros, devida na data da transacção, uma vez verificadas as condições suspensivas, e uma tranche fixa diferida de cerca de 43,5 milhões de euros. A estas soma-se uma tranche variável diferida, correspondente a metade do dividendo do BFA relativo a 2026 que venha a ser atribuído a estas acções. As tranches diferidas serão devidas em Maio de 2027.

Numa base proforma reportada a 30 de Junho de 2026, considerando apenas as duas tranches fixas (388,5 milhões de euros), a transacção teria um impacto positivo nos capitais próprios contabilísticos do BPI de cerca de 9 milhões de euros. A essa data, as acções do BFA estavam registadas no balanço do BPI por 379 milhões de euros, valor reavaliado trimestralmente de acordo com estimativa de justo valor.

Condições suspensivas

A concretização da operação depende de um conjunto de condições suspensivas, legais e regulatórias, incluindo a não oposição do Banco Nacional de Angola (BNA). Depende ainda da confirmação, pela Comissão de Mercado de Capitais Angolana, da inexistência de dever de lançamento de oferta pública de aquisição obrigatória pela CFSA, e do não exercício, pela Unitel, S.A., do direito de preferência de que é titular nos termos do acordo parassocial celebrado com o BPI.

A CFSA e o BPI informarão o mercado quando estas condições forem verificadas, e nessa altura será comunicada a data de concretização da operação.

Segunda venda em menos de um ano

Esta é a segunda operação de desinvestimento do BPI no BFA em menos de um ano. Em Setembro de 2025, o banco português, detido pelo grupo espanhol CaixaBank, já tinha vendido em bolsa 14,75% do BFA por 103 milhões de euros, no âmbito da entrada da instituição angolana na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), passando a deter os 33,35% agora alienados.

Desde 2017, o BPI tinha uma recomendação do Banco Central Europeu (BCE) para reduzir a exposição a Angola.

O BFA tinha como principais accionistas a Unitel, S.A. — controlada pelo Estado angolano, com uma participação de 36,90% — e o BPI, com os 33,35% do capital agora vendidos.

Fonte: Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), 24horas.pt, Observador.pt, RTP.pt.

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