Sob autorização do BNA, WEA inicia actividade com lista de espera de 4.000 mulheres e pipeline de 127 milhões Kz

WEA (Foto: Cedida à Forbes África Lusófona) WEA (Foto: Cedida à Forbes África Lusófona)
WEA (Foto: Cedida à Forbes África Lusófona)

A WEA – Cooperativa de Crédito, R.L. iniciou formalmente as operações a 1 de Setembro, sob a Autorização n.º 504 do Banco Nacional de Angola (BNA), com uma carteira indicativa de desembolsos entre 50 milhões e 250 milhões de kwanzas.

A primeira instituição financeira angolana dedicada exclusivamente a mulheres empreendedoras arranca com mais de 4.000 mulheres em lista de espera e um pipeline de pedidos de financiamento qualificado em cerca de 127 milhões de kwanzas. Apesar da procura identificada, a cooperativa optou por uma estratégia de crescimento gradual antes de aumentar a exposição ao crédito.

Em entrevista à Forbes África Lusófona, Maria Uini Baptista, fundadora e Directora-Geral da WEA, esclareceu que o investimento superior a 100 milhões de kwanzas realizado na implementação da instituição não será integralmente canalizado para crédito. O montante inclui instalações, tecnologia, sistemas de controlo, formação de equipa, capital de funcionamento e reservas de liquidez.

Lista de espera não equivale a crédito aprovado

Segundo a gestora, os mais de 4.000 registos em lista de espera correspondem a manifestações de interesse, e não a pedidos de crédito analisados ou aprovados. Cada candidata terá de passar por processo de adesão, verificação de identidade (Know Your Customer), diagnóstico financeiro e avaliação da capacidade de pagamento.

Os montantes identificados nas manifestações de interesse variam entre 50 mil e 25 milhões de kwanzas. O pipeline qualificado de 127 milhões de kwanzas representa valores solicitados, não financiamento aprovado.

“WEA Levanta” é o primeiro produto de crédito

O primeiro produto da cooperativa, denominado “WEA Levanta”, destina-se a necessidades como capital de giro, reforço de stock, aquisição de equipamentos e expansão de negócios. Os pedidos em análise situam-se entre 50 mil e 25 milhões de kwanzas, com prazos até 24 meses.

Nos primeiros processos, a instituição pondera uma cobertura por colateral de até 40% do montante solicitado, complementada pela análise dos fluxos financeiros do negócio. Para avaliar negócios sem histórico bancário, a WEA criou o “Caderno WEA 30 Dias”, ferramenta de registo de entradas, saídas, vendas e despesas que permite construir uma visão simplificada do fluxo de caixa da cooperada.

Metas prudentes até 2027

A WEA pretende alcançar 100 cooperadas activas até ao final de 2026 e 500 até ao final de 2027 — metas que a Directora-Geral define como “operacional prudente para a primeira fase”, e não como limite ao crescimento da instituição.

“O nosso sucesso não será medido apenas pelo volume de crédito concedido, mas pela qualidade da carteira, pelo desempenho dos negócios e pelo impacto económico real criado pelas nossas cooperadas”, afirmou Maria Uini Baptista.

A WEA foi fundada por Maria Uini Baptista, profissional com mais de duas décadas de experiência no sistema financeiro angolano, em conjunto com as co-fundadoras Karina Barbosa, Anaína Lourenço e Lídia Capepe. A instituição inicia actividade com uma equipa de 20 colaboradores, maioritariamente jovens angolanos, formados desde o último trimestre de 2025 em áreas como risco, crédito, jurídico, inteligência de negócio e operações.

Com sede na Rua do Patriota, em Luanda, a WEA opera ao abrigo do Decreto Presidencial n.º 91/23, de 5 de Abril de 2023, que regula as Sociedades Cooperativas de Crédito em Angola.

Fonte: Forbes África Lusófona, Portal do Empreendedor Angolano.

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